Tem uns 30 dias, se bem me lembro:
- Vovô, eu sou ateu!
- É mesmo, filho? Por quê?
- Ninguém prova a existência de deus, vovô.
Trato essas coisas com o devido cuidado, não faço proselitismo ensandecido como fazem os católicos e os evangélicos, e os religiosos obtusos, e aguardei German dar o próximo passo.
Há 15 dias ele comunicou-me:
- Vovô, não quero mais participar da oração no início da aula, nem da aula de religião. O que faço?
- Peça licença para sua professora, diga que não quer participar da oração e da aula de religião, que isso é seu direito, e informe que você esta saindo da sala.
Três dias depois ele me disse que permanecia na sala durante a oração por ter medo que a professora o mandasse para a diretoria, de modo que no dia seguinte, bem cedo, fui com ele até a escola, conversei com a direção e as coisas todas estão hoje acertadas: German não participa da oração e, durante a aula de religião, vai para a biblioteca e, ou lê algum gibi ou faz exercícios de caligrafia, conforme minha solicitação.
Pois a sereníssima decisão do meu menino German já está a produzir doces frutos: um dos seus melhores amigos, filho de muçulmanos, também decidiu não participar das aulas de religião.
Ontem a noite Sonia o fez dormir e contou-lhe uma história, algo sobre uma mulher que matou uma aranha e foi pro inferno, se bem me lembro, e ele ouviu tudo e perguntou:
- Vovó Duda, por que você está me contando esta história se você sabe que eu sou ateu?
Eu e German não vamos para o paraíso, meus caros crentes obtusos, vez que já estamos na terra do hidromel: não temos nenhum medo de um deus apatifado e das suas porcarias, nem das suas ameaças e, melhor ainda, nossos cérebros funcionam perfeitamente longe dos cabrestos da fé.
Este é o seu problema insolúvel, cristãos e crentes em geral.