Ontem à noitinha, em frente ao Colégio Brasílio Machado, embora inicialmente
relutante, você afinal reconheceu ter feito comentários, no programa noticioso do dia 14, lançando dúvidas a respeito da minha capacidade de bem educar meus filhos, tudo
porque requeri - no uso do meu direito constitucional, é bom assentar - que a
Câmara Municipal retirasse da plenária o crucifixo e, além disso, que
interrompesse a leitura da bíblia no início de cada sessão.
No programa de hoje, que acabo de ouvir, você, sem citar
meu nome, escorou-se numa citação de Rui Barbosa para
covardemente ofender-me, chamando-me de canalha.
O que me causa estranheza é que, ontem à noite, você falou fininho e não teve peito para dizer claramente o que pensa a meu respeito.
Veja bem, Paulo, você pode ter a meu respeito a opinião que considerar a mais adequada e correta. O que não é justo, nem cristão (permita-me a fina ironia), é ofender-me publicamente sem ter a necessária coragem de dizer meu nome. Explico porque.
Aqui mesmo neste meu insalubre espaço virtual tenho feito críticas - muitas vezes ácidas e duras -, ao prefeito Canduca e, até mesmo, ao marcos, o padreco minúsculo que dirige a paróquia de Antonina.
Resulta que podem contraditar-me apresentando sua versão ou posição, o que sempre garanti por aqui e, querendo, podem processar-me ou, em casos extremos, até mesmo dar-me uma murro na cara.
Mas você repete o que marcos, o homúnculo de deus, já fez, ou seja, critica-me no seu programa mas, por evidente covardia, não cita meu nome. Acabei de ligar aí para a rádio e pedi cópia das fitas de ontem e de hoje mas, coisa típica de uma organização fascista como a igreja católica, disseram-me que isso somente seria possível com uma ordem judicial e que, mais ainda, como o meu nome não foi citado, dificilmente eu teria exito.
Ou seja, você se utiliza de uma concessão pública para criticar e ofender pessoas, sem citar-lhes os nomes, transformando-se num covardão abjeto e acanalhado, e agindo de modo a dificultar-lhes o direito de resposta.
Não,
não vou constituir advogado, não tenho nem grana nem disposição para,
numa audiência e na minha frente, vê-lo dizer hipócritamente que você não se referia a mim quando disse o que disse: não quero pagar mico vomitando na mesa do meritíssimo juiz da comarca.
Tenho 3 filhos e os dois mais velhos, Paulo Jr. e Luciano, ateus, tiveram gestação de praxe, isto é, passados os 9 meses regulamentares, nasceram em minha vida; já o mais novo, Jean, teve gestação bem mais longa: nasceu em minha vida já com 10 anos, quando decidimos adotá-lo, e crê num deus genérico, se bem entendi, e até mesmo frequentou, sem muita assiduidade, aquela igreja evangélica ali no Largo da Carioca.
É certo que você e eu, imperfeitos seres humanos que somos, tratamos de educar nossos filhos segundo nossos valores, crenças e também dúvidas, e não podemos afiançar ter feito tudo certo, até porque aprendemos a ser pais simplesmente sendo pais, e caminhamos e vamos desenhando o caminho, de modo que posso e devo afirmar com serena certeza que seus filhos foram criados da melhor maneira que você podia e sabia, exatamente como os meus.
Espero sinceramente que seus filhos não sejam abjetamente covardes como você demonstrou ser.
Os meus três filhos não são, isso eu garanto.