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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

As ilicitudes da operação “Lava Jato” e o estupro pela continuidade da humanidade

Publicado por Diário do Centro do Mundo - 29 de janeiro de 2021

José Cruz/Agência Brasil

Publicado originalmente no site Consultor Jurídico (Conjur)

POR LENIO LUIZ STRECK, MARCO AURÉLIO DE CARVALHO E FABIANO SILVA DOS SANTOS

Há muitos aforismos que ajudam a entender determinadas coisas desse mundo. Um deles é o que diz mais ou menos o seguinte: matar pela paz é como estuprar em nome da continuidade da raça.

É um aforismo que trata do problema das autocontradições performativas. Por exemplo, “os fins justificam os meios”; no combate ao crime, não há que respeitar direitos; direitos humanos são só para “humanos direitos”. No direito, seria como dizer: o processo é só pró forma; vale mesmo é punir; ou “direito é uma questão de fim e não de meios”.

Tudo para dizer que a “lava jato” chegou ao limite. Tudo sobre ela está no limite. A “lava jato” é auto implosiva. Moro e a força-tarefa implodiram a “lava jato” e o processo penal. Desdenharam da Constituição.

Tudo é velho e tudo é novo. Novas-velhas revelações. Que mostram o mesmo, isto é, o que todo mundo já sabia: Moro e MPF fizeram lawfare. Tornaram o direito autocontraditório. Usaram o direito contra os seus inimigos. Direito contra Direito. A questão agora é enfrentar o “drama do juiz de Coetzee” (do Livro A Espera dos Bárbaros): o que fazer quando se sabe que sabe! O Livro das Suspeições do Grupo Prerrogativas (leia clicando aqui) mostra tudo isso. Sabemos que sabemos que sabemos!

Uma coisa é certa: as mensagens reveladas por estes dias (ver aqui) depois de autorização do STF mostram que houve uma estratégia combinada entre Moro e a força-tarefa da “lava jato”. Agora estão sob sigilo. Existe uma ação judicial manejada pelos procuradores da força-tarefa da “lava jato” para impedir a divulgação (ver aqui). Interessante: Dallagnol e Moro disseram, quando da revelação das conversas de Lula e Dilma, que o que valia era o interesse público. Ótimo. Agora parte dos Procuradores entra em juízo dizendo que “não é bem assim”. Eis aí um comportamento venire contra factum proprium de Dallagnol e seus amigos. Vulgarmente se diz: ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza. Começou no caso Riggs v. Palmer, em 1895. Nos Eua, direito que Moro e Dallagnol adoram tanto.

Vejamos alguns elementos jurídicos-objetivos (e não meramente subjetivos) que atestam o que já todos sabiam:

1. O juiz orienta a atuação do MP – e alma de Alfredo Valadão dá o último suspiro

Em um dos trechos das mensagens, Moro orienta (sim, orienta) Deltan sobre sistemas da Odebrecht. Só um chefe diz isso a um subordinado. Lendo as mensagens fica a nítida impressão de que Deltan seguia ordens de Moro. Moro diz: tem de fazer perícia disso e produzir “laudos específicos”, caso contrário “vai ser difícil usar” (sic). Ou seja, o juiz diz ao MP o que fazer e como fazer. O “vai ser difícil usar” significa: capricha para eu poder usar. Para registro: Valadão foi uma espécie de “patrono do MP”!

2. Moro cobra denúncia (como é que é: sai ou não sai denúncia aí?)

Em 16 de fevereiro de 2016, Moro pergunta se os procuradores têm uma denúncia sólida suficiente. Na sequência, Dallagnol diz o que já tem contra Lula. Fecha a cortina!

Caro leitor: Precisa dizer alguma coisa sobre isso? Imagine o cotidiano, se fosse assim. Juiz cobrando do Promotor: “— Como é que é? Tem denúncia robusta aí?” E logo o Promotor, obediente, explica… Nas Faculdades, ensina-se (ainda) que isso torna o juiz suspeito!

3. Moro e Deltan tratam de reunião sigilosa com suíços — violaram, assim, flagrantemente, toda a legislação sobre acordos internacionais firmados pelo Brasil

Sim, isso aconteceu. E Moro pergunta: Evoluiu aquilo das contas do Estados Unidos? Dallagnol responde. E Moro “determina”: “Mantenha-me informado…”. Quarenta minutos depois, o obediente Dallagnol presta constas a Moro: “acabamos de ver” (e conta o que acharam).

4. Deltan pede a Moro cautela no depoimento de Leo Pinheiro

Em 12 de setembro de 2016, DD pede a Moro certa estratégia no depoimento do réu Leo Pinheiro. E Moro responde: “Ah, sim!” Resposta lacônica! Do tipo “ah, sim, não esquecerei”! Ou “Deixa comigo”. Nas Faculdades, já no primeiro ano, ensina-se (ainda) que isso tem nome: parcialidade; suspeição.

5. O juiz Moro cobra manifestação do MPF em ação da “lava jato”

14 de setembro de 2016. Moro necessita de manifestação do MPF. “Bem simples”, ele diz. E Dallagnol, como sempre, prestativo, diz: “Providenciaremos”. Em 35 minutos, DD diz ao “chefe”: “Pronto, protocolado”! DD, the jus flash!

6. A questão dos celulares suíços e americanos: o “rollo off law”

De violação em violação, a operação andava. Em 18 de outubro de 2016, um dia antes da prisão de Lula, DD queria falar com Moro para falar da apreensão de celulares (estrangeiros e no estrangeiro). Mas o mais interessante é a citação das reuniões com suíços (que, segundo DD, pediram extremo sigilo — sic) e americanos para negociar “percentuais da divisão do dinheiro” apreendido. E falam sobre reunião entre Moro, MPF e polícia. Sobre celulares e quejandos. E sobre prisão. Tudo junto, como se não houvesse lei, CPP, Constituição. Pior: tudo em nome do que Moro dizia, em entrevistas, “rule of law“.

Na realidade, com tudo o que já se viu, estava mais para “rollo of law”. Sim, rolos jurídicos fora da lei. E fora da Constituição. Os diálogos estão na mídia. É de arrepiar. Ou não, já que estamos acostumados com “rollos off law” (percebem o “f” a mais?). Como um professor vai justificar esse comportamento aos seus alunos? Até na Faculdade do Balão Mágico isso é visto como “ilegal”; “írrito”!

7. Os diálogos envolvendo Tacla Duran em 29 de agosto de 2017: Moro chama jornalista da Folha de “picareta”

Esses diálogos são do arco da velha. Remetemos o leitor a eles. Moro inclusive adianta que vai indeferir um pedido da defesa de Lula. Isso é o que se chama de conjuminação e informação privilegiada! Na Faculdade (inclusive na UniZero), isso tem nome!

8. Moro que saber “não vão vir [sic] mais contas da Suíça” e DD dá um “corte” em Moro

Tirante o problema do vernáculo, vale registrar o ocorrido em 18 de outubro de 2016, quando Moro pergunta sobre mais contas da Suíça. O interessante é que, pela primeira vez, DD dá uma “cortada” no juiz. Ele diz: “Um assunto mais urgente é sobre a prisão. Falaremos disso mais tarde”. Toma, Moro. Pelo menos em uma vez DD deu nos dedos de Moro…, se nos permitem uma jus-ironia ou uma dose de jus-sarcasmo!

Curioso é que o pessoal parece ter gostado dos descaminhos utilizados e já pensava, inclusive, em se retirar do Ministério Público, para umas “consultorias”… Isso se infere da carta enviada pelo preclaro (o preclaro é por nossa conta em mais uma jus ironia) procurador suíço (acham que é só aqui?) Stephen Lenz ao procurador Leandro Martelo, verbis:

“Com o profundo conhecimento do assunto e especial nas investigações em curso, eu poderia liderar o lado brasileiro por meio dos procedimentos dos quais já tenho familiaridade”.1

Bingo! Qualquer semelhança com casos brasileiros não é mera coincidência. Aliás, não seria (ou era) esse o projeto? Montar ou trabalhar em uma consultoria internacional que prestasse serviços àqueles que ajudou nas condenações? Com efeito, para Moro isso já deu certo!

Considerações finais: Basta de violações ao rule of law! Basta de Off Law!

A grande pergunta continua sendo: persistem dúvidas de que Moro e o MPF agiram de forma absolutamente parcial, praticando um “agir estratégico”? Quebraram leis, Constituição e acordos internacionais. E quebraram a confiança no futuro do Direito. A ação de Moro e Dallagnol (& Cia) transcende. Os estragos são transcendentes.

Como temos escrito desde há muito, isto é, desde que surgiram os primeiros indícios desse “agir estratégico”, fruto de conjuminação entre Moro e o MPF, se o judiciário (leia-se agora o STF) passar “panos quentes” mantendo essa escandalosa modalidade de “fazer justiça”, então já não poderemos falar de devido processo legal no país. Se nada acontecer em relação a essas ilegalidades (e tem muito mais do que isso), então já não poderemos falar em imparcialidade e due process of law nas salas de aulas. E devemos triturar os livros de processo penal.

Moro sempre falava que fazia a coisa certa, dentro do rule of law, conceito sobre o qual ele parece nada saber. Havia de tudo, menos processo como meio. Processo foi o fim. Que justificou o meio. A palavra está com o Supremo Tribunal Federal. Moro foi ou não foi parcial? Moro foi ou não foi suspeito? Foi correto o agir estratégico do Ministério Público? São estas perguntas que o Rule of Law (que é mais do mero Estado de Direito) quer que sejam respondidas!

Portanto, não adianta alguém tentar justificar os meios utilizados pela “lava jato” e pela força-tarefa. Como diz o adágio ou aforismo, não vale estuprar em nome da continuidade da humanidade.

1 https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2021/01/29/cerebro-da-lava-jato-na-suica-sugeriu-que-petrobras-o-contratasse.htm

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

a meganha me dá medo



não existem balas perdidas
a meganha não comete excessos
as balas sempre encontram os alvos
pobres pretos negros
a meganha não comete excessos
são treinados condicionados 
para a morte de pobres pretos negros
a meganha é pra lá de eficiente
e entrega o que dela se espera
a meganha me dá medo


terça-feira, 17 de novembro de 2020

Poema de estatelar-se

nem voar mais posso
embora arriscar
nem sonhar mais ouso
embora estatelar-me
nem mais cantar
mesmo que gritar
nem mais chorar devo
lágrimas escorrem fluem
nem mais viver eu penso
mesmo que quase morto
nem mais desistir
nem menos retornar
mesmo antes mais





sábado, 7 de novembro de 2020

Eu e Joe Biden

Bom saber que o tranqueira canalha do Trump foi derrotado, meninos e meninas, mas, permitam-me a dura franqueza, Joe Biden será presidente do império genocida e nada mudará: aquela porra toda é controlada pelo financismo - o tal do mercado - e pela economia de guerra, que sustenta a presença dos gringos em todos os quadrantes do mundo.
De Joe Biden não compro uma bic novinha em folha.

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Poema perdido

acabo de perder um poema
apareceu de repente
um verso solto no ar
na minha cabeça e nas nuvens
o poema não nasceu
não veio a lume
sem nome não existe
poema poema poema
poema perdido
poema extraviado
poema inútil
mais um





sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Anotações sobre poemas inúteis

tenho feito uns poemas

e neles vagas lembranças

aparecem-me do nada

ou da fumaça dos incêndios

surgem imprecisos

invadem-me nebulosos

e cheiram carnes queimadas

os poemas que me ocorrem

nunca são completos

são pedaços de memórias 

lembranças sem muito sentido

os poemas entretanto 

sempre me acodem e não fazem nada 


segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Esperançazinha

Mirrada escondida
Esperançazinha
Assustada tremida
Olhinhos de muito medo
Corruíra pânico
Esperançazinha
Recolhida no canto
O que faço com meus netos
Que mundo entrego a eles

Eu não sei
Se não posso hoje
Dar a eles nenhuma esperançazinha
Perdoem-me
Eu não pude
Nós não conseguimos
Nem mesmo a esperançazinha

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Juízes e juízas, e promotores e promotoras, todos e todas, fazem cocô

Juízes e juízas, e promotores e promotoras, todos e todas, fazem cocô, meninos e meninas, ou seja, estufam a veia do pescoço e cagam fino e cagam grosso.
São humanos, after all, embora essa tralha concurseira de direita, se considere melhor que todos nós. Não são melhores, ao contrário, estão a mostrar-se cada vez mais como quadrilheiros que atacam a democracia.
Essa gente precisa ser impedida, até porque o CNMP, depois de 42 adiamentos, arquivou representação apresentada pelo presidente Lula, por conta do famoso power point do canalha do dallagnol, lembram disso?
Tenho alguns nojos derramados e definitivos: de religiões, todas elas, e das castas formadas por juízes e promotores venais.
Repito, nojo derramado e definitivo.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Este país morreu: Professora Marlise Matos aponta 14 atrocidades contra menininha de 10 anos

Copiei do Viomundo

Atrocidade 1: violar sexualmente uma menininha de 6 anos!

Atrocidade 2: continuar violentando sexualmente uma menininha dos 6 aos 10 anos;

Atrocidade 3: engravidar uma menina de 10 anos;

Atrocidade 4: ter que esperar a Justiça brasileira autorizar o aborto LEGAL previsto em Lei – Código Penal brasileiro – desde 1940!

Atrocidade 5: ter que passar pela revitimização, narrando essa história triste, grotesca, violenta, macabra por TODAS as instituições por onde essa menina de 10 anos passou (o que deveria circular – EM ABSOLUTO SIGILO – era o seu Protocolo).

Atrocidade 6: uma “ministra” de Estado pensar em encaminhar sua equipe ao domicílio dessa criança para, quem sabe, convencê-la a não abortar.

Atrocidade 7: um hospital UNIVERSITÁRIO – o Hospital de referência em abortamento legal em Vitoria, no ES – negar atendimento à menina de 10 anos.

Atrocidade 8: a menina e sua avó serem obrigadas a viajar mais de 2 mil km para realizar o procedimento em segurança, num Hospital do Recife/PE.

Atrocidade 9: elas precisarem entrar no hospital escondidas no porta malas de um carro, porque fundamentalistas as aguardavam na Portaria.

Atrocidade 10: fundamentalistas religiosos com apoio de fundamentalistas parlamentares gritarem “assassina” para uma menina estuprada, desde os 6 até os 10 anos de idade.

Atrocidade 11: uma cretina, fundamentalista e criminosa, publicizar o nome e o endereço da criança no Tweeter.

Atrocidade 12: os fundamentalistas ficam “orando” na portaria do hospital e “pedindo” que o procedimento não se realize.

Atrocidade 13: o estuprador seguir livre.

Atrocidade 14: Acordamos no dia seguinte de todas essas 13 atrocidades anteriores e seguirmos as nossas vidas NORMALMENTE.

OBRIGADA AOS MOVIMENTOS FEMINISTAS DO RECIFE, as ÚNICAS a se manifestarem pela DOR E PELO SOFRIMENTO INFINITOS dessa menina triste de 10 anos.

Esse país MORREU.

*Marlise Matos é professora e coordenadora do NEPEM – Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher — da UFMG


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Devo dizer mais uma vez, e digo, que tenho nojo infinito, transbordante e definitivo das religiões todas, sem nenhuma exceção, embora reconheça que há mulheres católicas e evangélicas, e homens também, que se insurgem contra isso tudo.
Religiões, simples assim, meninos e meninas, emporcalham o mundo.
Paulo Roberto Cequinel