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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Poema para os privilégios do morto

vivo não valho muito
eu quero as regalias do morto

vivo sou memórias incertas
morto sou história

vivo entro na fila
morto posso tudo

vivo pago o preço
morto me anistiam e perfumam
morto me redimem

vivo estou apenas vivendo
vivo cometo erros

morto meus erros serão esquecidos
minhas merdas serão perfumosas

quero os privilégios do morto

Um comentário:

Sonia Nascimento disse...

Adorei o poema (sou a suspeita do lado) e amei os marcadores.