e não me peça respostas que não tenho
não ouse proclamações vazias
que eu não posso ir-me de vez
não pense que posso explicar
ou as merdas que eu mesmo faço
Eu e Sonia voltávamos pra casa hoje, por volta das 18 horas, pela Linha Verde.
Abro e fecho parentesis para explicar que a Linha Verde pode ser comparada às Marginais aí de São Paulo.
Num dos semáforos, um rapaz carregava nos ombros uma criança de uns dois anos, e colocava, apressado, nos retrovisores aqueles pacotinhos de balas.
Já vi o rapaz e sua família - a jovem mulher e os dois filhos pequenos - no mesmo semáforo, na mesma faina insana.
Fodam-se, classe mérdia ignorante, vocês fizeram isso ao elegerem jair bolsonaro, um meliante e miliciano, crápula absoluto, genocida, fascista, escroto e escória humana que está a destruir o Brasil.
Ainda bem que não sou candidato. Não terei que conversar com a classe mérdia predadora e cristã, ignorante e perigosa.
Vão para o pato amarelo, ianque e golpista que os cagou no mundo.
Fodam-se!!!
Fernando Brito, do imperdível Tijolaço
Uma juíza do Rio de Janeiro, Regina Lucia Chuquer, da 6ª Vara da Fazenda Pública, acaba de decretar o “liberou geral” das medidas de restrição no Rio de Janeiro, que já eram poucas e pífias.
Entre outras coisas, libera o funcionamento até de boates, atendendo a um pedido do deputado estadual bolsonarista Anderson Moraes.
“Nem mesmo uma pandemia gravíssima como a vivenciada na atualidade autoriza o cerceamento da liberdade individual de cada cidadão carioca, ao argumento da possibilidade de transmissão acelerada da doença ou mesmo da falta de vagas em hospitais”, diz em sua decisão.
Claro, excelência, todos nós temos a liberdade de sair por aí espalhando vírus uns nas caras dos outros, porque ninguém pode impedir-me de ir a uma boate, ambiente ventiladíssimo, onde todos podemos manter uma distância segura uns dos outros, não é?
Além do mais, está claro o periculum in mora, porque quem é que me devolverá amanhã a “balada” de hoje?
O argumento de que “nem mesmo uma pandemia gravíssima” – morreram, apenas hoje, 327 pessoas no Rio de Janeiro – “autoriza o cerceamento da liberdade individual de cada cidadão carioca” é tão incompreensível que, por exemplo, poderia ser invocado por um “cidadão” carioca para desobedecer a interdição de uma rua, onde um barranco ameaça desmoronar, porque isto seria um cerceamento ao seu direito de ir e vir.
É provável, claro, que a liminar da juíza Chuquer não dure mais que algumas horas. E até porque o “bloqueio” de Paes, que sempre foi uma peneira cheia de furos, não terá grandes efeitos epidêmicos, não fará grande diferença, senão a de sinalizar a quem é insano e irresponsável que há quem reconheça que isso é seu direito e direito acima do direito alheio a viver.
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Meu primo bocudo e boquirroto, Xaulo Goberto Requinel, jurista desocupado, do qual mantenho prudente distanciamento, declarou à imprensa sadia e cristã que "esta decisão configura - com clareza solar - mais um evidente caso de jaguarice togada", ou, em latim castiço "hoc arbitrium facit - solaris claritatis in - aliter jaguarice togada evidens. Et ego dixi."
Estive hoje com os dois meninos
Miguel e Francisco
Levei frutas e biscoitos
E um chiclete de melancia
(escondido do pai, é claro)
Tão bom ver os dois alegres comigo
(de longe, que sabem sobre distanciamento)
Chico lavou a louça do almoço, por sua conta
E vai ganhar um avental personalizado
Miguel declarou: eu amo damasco!
Permitam-me a dura e necessária franqueza: o lixo católico, o chorume evangélico e a escória religiosa de qualquer origem precisam ser combatidos: essa laia não tem nenhum limite!
O discurso do Advogado Geral da União, de hoje, no STF, é uma afronta aos direitos de todos nós, de homens e mulheres, cristãos, muçulmanos e ateus, é um ataque traiçoeiro ao estado laico, é uma praga bíblica em tempos de pandemia fora de controle, é uma agressiva ode à morte.
Essa laia hoje aliada ao bolsonaro genocida precisa ser contida e afrontada, essa gente movida a ódio precisa ser parada.
Não, seus merdas, não me peçam respeito porra nenhuma: vocês querem mesmo é nosso silêncio.
Tenho nojo definitivo e derramado das religiões, de todas elas.
O mundo seria muito melhor sem padres, pastores, aiatolás, gurus picaretas, e agentes de deuses inexistentes.
publicado em 15 de março de 2018
Poema para Marielle Franco
(mais um poema inútil)
Marielle Franco
Vereadora do PSOL
Está morta
Anderson Gomes
Seu motorista
Está morto
Executados a tiros
Nem sabia de você Marielle
Soube hoje agora
Poderia dizer que a metralha
Me atingiu
Metáfora confortável
Mas estou vivo
E é tão sem conforto
Essa minha vida
Que me resta apenas
Esta merda de poema inútil
Recebam meu abraço
Apertado fraterno e inútil