SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Carlinhos escrevia com pólvora

Eu visito ParanaBrasil todos os dias

Muita gente se diz contra o capitalismo, mas a ideia de patrão para o Carlinhos nunca adentrou aos seus miolos. Sempre tinha sua própria visão dos fatos, o que era uma dificuldade para ele escrever para outros.

Nem que os outros fossem toda a diretoria do Sindicato dos Petroleiros ou a Comissão Executiva do Partido dos Trabalhadores. A tinta que iria macular o papel branco era sua trincheira, e ele a defendia acima de tudo.

Num ambiente de esquerda, questionar nunca foi defeito. Então, fazer o quê? Seja no partido, ou nos sindicatos, qualquer dirigente que tivesse uma ideia precisava primeiro passa-la em reunião. Isso era fácil! O difícil era, depois, convencer o Carlinhos.

Carlinhos vivia em guerra permanente, o que lhe dava aspecto e raciocínio de revolucionário. Apesar disso, aceitava bem as críticas. Lá pela metade dos anos 80, num encontro do PT, ao ouvir críticas sobre o jornal que escrevera, atirou uma pasta, daquelas de plástico, verde, em direção aos seus críticos. A pasta acertou a parede e voou recorte de jornais, revistas outros jornais, anotações e todo tipo de coisa que ele sempre carregava. Com a história não machucou ninguém exceto levemente o ego do nosso herói, o arremesso de pasta foi considerado como uma forma de discurso.

Na época, a Rede Globo e a Folha de S. Paulo faziam e desfaziam no jornalismo. A Gazeta do Povo, a Tribuna e Folha de Londrina eram as versões locais dos fatos. E a esquerda lidava com parcos recursos. A munição era escassa: mil, cinco mil, dez mil exemplares de um jornal no máximo, era o que tínhamos para um bimestre, ou até mesmo um semestre. Por isso, a tensão em gastar bala era enorme.

Tudo era complicado e caro na época, e fazer um jornal era: escrever, diagramar o boneco, mandar para composição e fotocomposição dos títulos, revisar, pastapear, mandar para o fotolito, mandar para a impressão, buscar o material. O Carlinhos fazia tudo! Inclusive distribuir depois. Cada edição de qualquer impresso seu – e era mais seu do que da instituição que financiava – era exibido e distribuído no Bife Sujo como um troféu. Foi assim que em Curitiba, bancários, estudantes e garçons, começavam a ler assuntos de petroleiros, uma versão atropelada da, então incipiente, Central Única dos Trabalhadores (a refinaria da Petrobras está situada na cidade vizinha, Araucária). Foi assim também que o PT de Curitiba, no início, pareceu ser maior do que o escritório do Edésio Passos e núcleo do Boqueirão do Gilberto Carvalho.

Carlinhos tirava das entranhas as palavras. E delas, só queria vê-las transformadas em ação. Era nisso que acreditava e o movia. Sempre fumegando um Hollywood, na falta de um fuzil.

Um comentário:

Paulo e Sonia disse...

Oi, você aí de Minas: acorde mais cedo e vá postar mais, que nós ficamos mal acostumados e queremos ver a cobra fumar. Bjs. e saudades.