SOBRE O BLOGUEIRO

Minha foto
Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

sábado, 26 de janeiro de 2013

O ateísmo é a base da viadagem, declara Papa Bento XVI

Copiei da Marreta do Azarão


O que o Papa João Paulo II tinha de diplomático, de conciliador, de inteligência política, enfim, da hipocrisia polida de que todos gostam, o seu sucessor, o Papa Bento XVI, tem de estouvamento, de rispidez, de falta de tato. E de burrice.
Na tentativa desesperada de conter o sangramento copioso das fileiras católicas frente às novas religiões, sobretudo as neopentecostais, e, quero crer, frente aos crescentes esclarecimento e grau de instrução da população, que levam parte dela a rejeitar as idiotices da fé, o Papa Bento XVI anda a bombardear seus fiéis (e ao mundo, o que é pior) com os mais despropositados pronunciamentos, as mais descabidas declarações travestidas de dogmas.
Desde o início de seu papado, o revigoramento do secularismo e a união homoafetiva legal são dois de seus alvos preferidos, nos quais ele acredita que descer a borduna possa conter o esvaziamento de suas igrejas e que, na prática, dadas as suas desastradas falas, só está fazendo por fortalecê-los.
Agora, num ato próprio de quem está na mais profunda desesperança e na cólera de não poder moldar o mundo à sua vontade, como nos bons tempos da Inquisição, o Papa Bento XVI tenta criar um vínculo de causa e efeito entre seus dois maiores inimigos, declara que ateísmo e viadagem são intrinsecamente ligados, tenta matar dois coelhos com uma só porrada. Resultado: os dois coelhos lhe escapam.
Numa de suas declarações mais estapafúrdias, Bento XVI diz que toda a doutrina que subsidia o casamento gay tem origem no ateísmo.
O Papa mistura alhos com bugalhos e, nesse caso, refere-se à teoria de gêneros, que ele classifica como "uma antropologia de fundo ateu". 
A teoria dos gêneros defende que a identidade sexual é determinada pela educação e o meio ambiente, e não por diferenças genéticas, e é largamente preconizada pelos defensores do casamento gay, que acreditam que a identidade feminina ou masculina não é predeterminada.
Balela. Também discordo da teoria de gêneros. Claro que a pessoa já nasce homem ou mulher, claro que ela já nasce, inclusive, homo ou heterossexual, o que, a meu ver, só legitima ainda mais sua condição e seu direito de exercê-la livremente. Claro que a teoria de gêneros é outra de uma grande sandice pseudocientífica, mas não pelos motivos alegados pelo Papa.
Bento XVI tenta desqualificar a fraca e ridícula teoria de gêneros não pelas suas inconsistências acadêmicas crassas e mais que visíveis, mas através de outra falsa hipótese, a de que ela tenha sido proposta por ateus, a de que os ateus, em uma conspiração global, busquem endossar cientificamente a viadagem para com isso minarem os alicerces da família e, consequentemente, os da igreja.
Antes de mais nada, estabeleçamos o absurdo da fala papal. Ser ateu significa, simples e unicamente, não acreditar em deus. E ponto. A isso, não se segue nenhuma outra regra ou dogma, não vêm anexos nenhum manual ou cartilha normativa de conduta ateia. O ateu pode ser heterossexual ou homossexual, pode ser negro ou branco, pode ser honesto ou canalha, pode ser trabalhador ou vagabundo, pode ser qualquer coisa, independente de ser ateu. Ser ateu não implica em mais nada além de ser ateu, nada diz das qualificações outras nem mesmo do caráter do sujeito. O ateu não nutre amor a nenhum deus, mas bem pode ter amor às suas pregas. Uma coisa nada tem a ver com a outra.
Demos, no entanto, tratos à bola, façamos um exercício de  imaginação e suponhamos que a correlação ateísmo-viadagem feita pelo Papa possa ter um fundo de verdade, consideremos tal suposição, não para apoiarmos o sumo pontíficie, mas, antes pelo contrário, para colocá-lo em maus lençóis, em ainda piores lençóis.
Ao afirmar que o ateísmo é o substrato filosófico da viadagem, Bento XVI também está a afirmar que o ateísmo se faz presente nos fundamentos teóricos da igreja católica. É isso mesmo. É óbvio que sim.
É público e notório que a grossa maioria dos sacerdotes católicos, de alto a baixo na hierarquia eclesiástica, é composta de homossexuais, de bichonas enrustidas sob a batina. Ora, é o mais puro e simples silogismo: 1) O ateísmo é a base da viadagem; 2) A viadagem é a base da igreja católica; 3) Logo, o ateísmo é a base da igreja católica.
Ao tentar vincular o ateísmo às roscas queimadas, o Papa está a declarar que lidera uma igreja predominantemente constituída de sacerdotes portadores das mesmas falhas morais e de caráter que ele, Bento XVI, jurou combater e expurgar do planeta. É a cobra mordendo o próprio rabo. É o ovo do cuco.
O medo que o Papa tem do secularismo é de motivo evidente. Quanto menos idiotas pelo mundo, quanto mais pessoas optando pelo exercício da racionalidade e pela crença em si próprio, menos moedinhas a tilintarem nos cofres santos.
No pavor da união gay, o Papa consegue colocar melhores disfarces, sai-se com a clássica lenga-lenga dos valores éticos, morais, familiares etc, mas a máscara da falsa moral cai facilmente frente a um olhar mais escrutinador. Sacerdotes católicos não podem se casar com mulheres e constituir família, tal proibição consta há séculos dos estatutos, cânones, ou sei lá o quê, da igreja católica; volta e meia, o assunto é até discutido, mas sua proibição já é fato consumado, é líquida e certa.
Pois bem, o grande medo do Papa Bento XVI é que, com a legalização mundial do casamento gay, a padraiada comece a querer se casar entre si. Casar com mulher não pode, e com outro homem, com outro sacerdote? Não há nada previsto nas leis canônicas a esse respeito, nem que sim nem que não.  
Padre com bispo, monsenhor com diácono, sacristão com coroinha, cardeal com cônego... Vai ser uma loucura. O que o Papa mais teme é que a Basílica de São Pedro se torne a catedral mundial da união homoafetiva.
Fonte : G1 Globo

Um comentário:

AZARÃO disse...

Uma honra em ver-me aqui publicado. Seu blog tem o clima saudável e descontraído da boa anarquia.
abraços.