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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Atualização sobre a Carta Aberta ao senador Walter Pinheiro

Quando li (aqui e aqui) que o senador do PT-BA, Walter Pinheiro havia participado da imundície chamada Marcha Pela Família em Brasília, ato organizado pelo notório pulha homofóbico Silas Malafaia, decidi escrever ao senador uma Carta Aberta, enviada por e-mail e publicada no sábado (aqui).

A Carta teve ampla repercussão, foi replicada em blogs e jornais e, como é próprio, provocou debates acalorados e, hoje pela manhã, um comentarista anônimo ofereceu link para uma entrevista concedida pelo senador a um jornal baiano (aqui). Dela reproduzo o seguinte trecho:

“Recentemente o Sr. foi alvo de críticas por participar da Marcha contra  a Lei da Homofobia, o que deixou o Movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) do Partido dos Trabalhadores baiano, indignado. Qual a sua posição em relação à Homofobia?

Em primeiro lugar eu não participei dessa marcha, porque na ocasião eu estava fazendo uma ressonância magnética. As pessoas gostam de levantar falsas polemicas, frases clichês e carimbos quando se fala desse tema. Sou contra todo tipo de preconceito, racismo, violência contra a mulher, homofobia. Eu entendo que a orientação sexual é uma decisão de cada indivíduo, a pessoa pode não concordar, mas tem que respeitar o outro. É lamentável a forma que estão tratando o respeito aos cidadãos. As pessoas possuem direitos individuais, livre arbítrio. Não significa que, quem não concorda tem que agir com violência, pois assim está agindo contra a vida.”


Como enviei-lhe e-mail, se receber resposta ela será prontamente publicada e espero que seja muito mais consistente que esta declaração frouxa ("não fui porque estava fazendo uma ressonância magnetica"). 

De um senador petista eu, petista desde 1912, exijo que afirme que não iria de jeito nenhum a imundície homofóbica organizada pelo malafaia e apoiada pelo bolsonaro.

Recuso-me a pensar e a aceitar que, não tivesse o compromisso com a tal "ressonância magnética", Walter poderia estar lá. 

Por ora, o inteiro teor da Carta Aberta está mantido.


Reafirmo o que venho dizendo faz tempo: para defender a honra, a imagem e mesmo a vida do meu filho, no que depender de minhas modestas forças, acuados ficarão os intolerantes, os preconceituosos, os que estimulam a violência.

Esta luta será feita nos meus termos. Pago o preço.

sábado, 11 de junho de 2011

Carta aberta a Walter Pinheiro, senador petista homofóbico do PT-BA



Fiquei completamente puto dentro das calças quando li que você, um dos nossos melhores e mais formidáveis quadros, participou da imundície chamada Marcha da Família, que teve como um dos organizadores o pulha direitista e notório pastor homofóbico Silas Malafaia porque, que isso fique bem claramente assentado, organizadores e participantes da tal marcha não estavam ali para defender a família porra nenhuma: vocês todos reuniram-se para proclamar a mais abjeta e completa homofobia decorrente da religiosidade obtusa que vocês professam.  

Não, prezado companheiro Walter, não perca seu precioso tempo com este velho militante sem importância tentando mostrar-me que você não é homofóbico porque, no máximo, e lamba os beiços, posso considerá-lo um homofóbico discreto, um homofóbico de baixos teores ou meio desnatado, que não é virulento como o patife do Silas Malafaia e outros sinistros deputadões e senadores que formam na definitivamente lamentável tropa do atraso que se reúne na chamada Frente Parlamentar Evangélica.

Tenho três filhos e o mais novo deles é gay, e eu o amo incondicionalmente. Ele tem 17 anos, é amoroso e inteligente, ótimo aluno (acabou de passar no vestibular da UFPR, sem ter concluído ainda o segundo grau), tem um talento especial para trabalhar coletivamente, escreve peças e é ator de teatro e, na recente tragédia que se abateu sobre nossa cidade, fez trabalho voluntário com crianças de famílias que estavam em abrigos públicos (meu menino saia de casa antes das oito da manhã e só retornava depois das oito da noite, e organizava e participava de brincadeiras e atividades com a piazada). 
Significa dizer, senador petista homofóbico, que meu filho não ameaça a nenhuma família como você afirma quando resolve participar da imundície organizada, dentre outros patifões religiosos, pelo notório patifão do malafaia.

Quando meu menino resolveu viver integral e publicamente sua sexualidade eu, pai imperfeito que sou, decidi que faria tudo para proteger sua vida, sua integridade e seus valores, de modo que homofobia como a sua será por mim tratada, do pescoço pra baixo, a pontapés, até porque a cada 36 horas um integrante da banda LGTB é assassinado no Brasil. A sua homofobia mesmo quando desnatada, Walter, mata.

Sua fé, mesmo que evidentemente obtusa, merece meu respeito e se algum dia a liberdade religiosa estiver sob ameaça, quero ser convocado para defende-la irrestritamente mas, como é próprio, cada vez que vocês acenderem as fogueiras da inquisição eu, nos meus limites e forças, farei o que for possível para apagá-las.

Estou aqui para defender meu filho, e o farei, bando de homofóbicos religiosos filhos-da-puta!


Paulo Roberto Cequinel
(Mensagem enviada às 19:48)