SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Poeminha para as Mães Pela Igualdade

Elas, danadas, 
Proclamam igualdade

Elas, poderosas,
Abraçam as crias

Elas, invencíveis,
Alumiam tudo

Elas, coragem,
Não se escondem

Elas, proféticas, 
Proclamam amor infinito
Amor sem condições
Amor como deve ser o amor
Só amar
Só lançar-se no ar
Sem paraquedas

São as minhas mães

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Carta Aberta ao senadorzinho LGBTT-fóbico Magno Ameba Malta

Copiei da minha querida e inoxidável amiga Majú Giorgi
(O título meio aloprado é de minha lavra)

Magno Malta.... deixa eu desabafar....
Em primeiro lugar sua AMEBA, não existe O TRAVESTI!
Em segundo lugar, a travestilidade NÃO É OPÇÃO!
Em terceiro lugar, a sociedade empurra as travestis e transexuais para prostituição e para a marginalidade, quando fecha as portas do ensino e da empregabilidade para essa população, chegando ao absurdo de 90% das TTs brasileiras terem que se prostituir para sobreviver, não por OPÇÃO, mas por TOTAL FALTA DE OPÇÃO!
Em quarto lugar, a média de vida de um brasileiro qualquer e pode incluir aí, eu, você ou a população de rua, como queira, é de mais de 80 anos quando a de travestis e transexuais é de 34 anos colocando essa população em desvantagem absoluta com QUALQUER outra! São VIDAS que estão sendo roubadas, VIDAS, que não se paga com dinheiro algum, mas que talvez essas porra de bolsa mequetrefe que fazem tanta falta pra essa gentalha hipócrita, ignorante e limitada, ajudem a salvar! A maldade escondida atrás da Biblia foi responsável por N genocídios na história e CONTINUA SENDO!
Em quinto lugar, TODOS os dias travestis e transexuais são assassinadas em algum meio fio desse país por loucos embalados por discursos como o seu, seu ungido do capeta!
Em sexto lugar aqui é São Paulo e você não tem nada que ver com a prefeitura de São Paulo (Graças a Deus)!
Em sétimo lugar... Pimenta no PIIIIIIIIIIII dos outros é refresco!
Em oitavo lugar... Parabéns ao Prefeito Fernando Haddad que tem instrução, cultura, coragem, visão de mundo e sensibilidade suficiente para resgatar VIDAS de seres humanos que nós sociedade jogamos no LIXO todos os dias! Mais um motivo para que eu tenha orgulho de ser paulistana! É São Paulo salvando VIDAS! Por mim, Haddad pode continuar sendo o Prefeito Suvinil, Eucatex, Lukscolor ou Sherwin-Williams, ou o que ele quiser que enquanto estiver salvando VIDAS, eu continuarei defendendo! PARABÉNS HADDAD... MIL VEZES PARABÉNS! Por um mundo com mais Haddad e menos Magno Malta BLECT NOJO ASCO!

sábado, 24 de janeiro de 2015

Eles, os LGBTT-fóbicos, passarão; nós, passarinhos!

Copiei de Dirce Pereira da Silva

Olá a todas e a todos. Inicialmente gostaria de salientar que já sou mãe, digamos assim, por "três vezes": tenho uma filha com 60 anos de idade, meus netos (ele 33, ela 26) e um bisneto de 4 anos. Dá para perceber que não sou jovem: já são 80 anos de caminhada. Uma caminhada muito árdua, diga-se de passagem. Não sou homoafetiva mas, sempre que conheço alguém que fuja à condição sexual dominante, lembro-me um pouco de minha mãe. 
É uma pena que mamãe já tenha falecido em 1997: mesmo analfabeta ela adoraria ouvir a leitura de diversas postagens aqui. Ao contrário de mim, mamãe não era propriamente alguém simpatizante da causa gay ou de qualquer outra. Hoje percebo que minha mãe, sem saber, pregava a compaixão no sentido do budismo. Na nossa cultura compaixão significa ter dó, piedade, enfim, ver o outro como um coitado. No budismo não: ter compaixão é conhecer a dor do outro e dar a ele o seu ombro, para ajudá-lo a caminhar. E essa foi minha mãe a vida toda.
Eu tive experiências horrendas com o preconceito racial. Sou de um tempo muito anterior à lei do racismo e aturei desde violência verbal (como me chamarem de macaca) até agressão física (expulsar-me de um baile porque eu era negra e me jogar na sarjeta, ou cuspirem na minha cara).
O maior amigo que tive em minha vida era gay. Faleceu há alguns anos, vitimado por enfarte. Embora eu desconfiasse bastante, ainda na distante década de 1950 ele me contou sobre sua condição sexual. Aos poucos fomos percebendo as semelhanças existentes nas formas em que éramos excluídos da sociedade: eu fui recusada pelos pais de meu noivo em casamento (por ser negra e ele branco) e, por isso, adotei minha filha. Eu e meu ex-noivo tivemos idas e vindas, mas ao acertarmos nossa vida o câncer o matou.
Com meu amigo foi pior. Morávamos em uma cidade pequena do interior de São Paulo e ele me dizia que, por vezes, conhecia alguns homens no banheiro da rodoviária. Depois havia um lugar em que os gays da cidade se encontravam - até mesmo quis ir um dia, mas ele me disse que isso traria medo a todos. Vivíamos sob a ditadura militar.
Uma palavra que ele me dizia e marcou minha vida foi "migalhas". Ele dizia ter migalhas de amor, apenas isto. Conhecia alguém numa noite, tinha ou não relações sexuais e, no dia seguinte, ninguém se olhava no rosto. Havia homens e mulheres casados que, na verdade, eram gays. O único local seguro para falar sobre isto era minha casa, pois na dele os pais sequer tocavam em assuntos dessa natureza.
Minha mãe, depois de certo tempo, passou a se "intrometer" nas questões. Mamãe era uma mulher inteligente, apesar de pouco instruída: ela queria aprender. Cheguei a ficar surpresa quando ela, católica fervorosa que era, disse que ele ainda encontraria "um rapaz" a quem amar. Não, isso não foi no século XXI: foi na virada da década de 1960 para 1970. 
Lembro-me de quando nós dois fomos passar férias em São Paulo, capital, e nos dirigimos a uma boate gay. Na época passava a novela "Dancin' Days" e tanto as casas quanto o público buscavam imitar personagens da novela. Lá ele conheceu seu primeiro namorado, e eu mesma sugeri que ele se mudasse para São Paulo: lá haveria mais liberdade que no interior. Ficávamos na casa do meu ex-noivo que, por ser um homem muito culto e à frente de seu tempo, também apoiava meu amigo nessa questão. No entanto, a mãe do meu amigo ficou viúva e alegava estar doente todo o tempo. As idas a São Paulo tornaram-se cada vez mais raras.
Meu ex-noivo finalmente pôde se divorciar graças à aprovação da lei (antes era apenas "desquitado": não podia casar novamente) e seguiu ainda os protocolos da década de 1950: foi falar com meu pai, que o tratou muito mal. Só que dessa vez enfrentamos tudo - sobretudo a mãe dele, que era racista - porque já tínhamos mais de 50 anos de idade. Meu pai achava "absurdo" se casar nessa idade, mas desde quando há tempo para o amor? Só que ele morreu... e eu o amei até sua morte. Na verdade, ainda o amo, mesmo passados 62 anos do início de nosso noivado. 
Eu e meu amigo às vezes nos questionávamos: o que seria pior? Um amor correspondido e proibido de se viver (como o meu) ou nunca ter um amor, como era o caso dele? O preconceito existe, a homofobia atinge níveis que assustam e eu não sou tola ao ponto de desconsiderar nada disso. Só que há 40 anos sequer ouvíamos falar em namoros gays, embora alguns existissem. O mundo já conseguiu ser pior do que é hoje. 
Mais que por mim ou por meu falecido amigo adotei desde minha aposentadoria, dada aos 70 anos de idade, que minha bandeira seria a criminalização da homofobia (embora o termo nem existisse). O preconceito contra nós, afrodescendentes, continua a existir... mas graças à Lei ninguém fala! Bem ou mal, conseguimos formar já umas duas gerações sem ouvir os constantes insultos que eram dirigidos às pessoas negras.
Penso que criminalizar a homofobia tornará a sociedade melhor. Continuará a existir preconceito, mas ao menos ninguém poderá falar! As novas gerações talvez consigam ser mais generosas do que a minha foi. Considerando que estou provavelmente na geração mais velha ainda viva (nasci em 1934), eu me envergonho pelo que nós legamos e continuamos a legar ao mundo. Só que mesmo gerações mais novas, como a da minha filha, ou a dos meus netos, continuam com práticas sectárias dignas de minha juventude.
É hora de mudar. Sou mãe, avó e bisavó em luta pela igualdade. Nossa bandeira não tem limitações nem idade para ser hasteada. E se eu puder contribuir em algo com esta luta, acredito que uma parte muito considerável de minha vida não terá sido em vão. 
Acredito que aqui há muitas mães pela igualdade. Sintam-se meus filhos, caso queiram, embora eu me ache mais avó que mãe em meio a tantos rostos jovens. Que nossa luta e nossa voz sejam uma só coisa e reverbere no coração das pessoas.

domingo, 23 de novembro de 2014

Pelo direito de ser

Maju Giorgi, das formidáveis Mães pela Igualdade, é uma das pessoas mais lindas e corajosas que conheço. 
---xxx---
Copiei do Estadão

Na semana em que o estudante Marcos Vinícius Macedo Souza, de 19 anos, homossexual, morreu esfaqueado em frente ao Ibirapuera - o mais importante parque de São Paulo -, um levantamento com base nos números do Disque 100 revelou que a cada hora um gay sofre algum tipo de violência no Brasil. O criminoso não levou dinheiro, celular ou documentos de Marcos, o que reforça a hipótese de que o jovem tenha sido vítima de homofobia.

O País lidera o ranking mundial de assassinatos de homossexuais e uma pesquisa do Grupo Gay da Bahia apontou que, no ano passado, um homossexual foi morto a cada 28 horas. Para a jornalista e ativista Maju Giorgi, membro do grupo Mães Pela Igualdade - que apoia e defende a orientação sexual de seus filhos - o Brasil pode ficar na contramão da história. Maju foi uma das protagonistas do ato “Revolta da Lâmpada”, domingo passado na Av. Paulista, que lembrou o ataque com lâmpadas fluorescentes a três homossexuais ali em 2010. Para hoje, estava previsto um “Velaço” no Ibirapuera, em homenagem a Marcos Vinícius. 

Maju saiu do armário junto do filho. Desde que soube da homossexualidade de André, juntou a família e fez seu primeiro ato de militância. “Mandei o André viajar porque não queria que ele tivesse de lidar com isso. Chamei a obrigação para mim e disse: ‘Se alguém discriminar meu filho aqui dentro, nunca mais olho na cara’”. Aos 48 anos, casada e com dois filhos, ela não briga mais apenas pela aceitação social de André, que vai se casar em breve com o namorado. “Sabe aquele gay da periferia com pai e mãe evangélicos, teleguiados por pastor? Eu luto por esse”. 

A luta é desgastante, ela diz, mas as conquistas valem o esforço: “Já ouvi de adolescentes de 15 anos: ‘Não me matei por sua causa’”. Semana passada, a ativista brasileira foi procurada pela Human Rights Watch. A ONG dedicada aos direitos humanos quer conhecer a real situação da causa LGBTTT no País. “A gente vai falando, vai falando... Uma hora começam a escutar”. 

A pesquisa divulgada quinta-feira diz que, a cada hora, um gay sofre algum tipo de violência no Brasil. A questão está se agravando?
Esse dado não foi surpresa para mim. Aliás, se você considerar todo bullying homofóbico que o gay sofre dentro da escola, a violência deve ser muito maior. Os casos do levantamento são os que você fica sabendo. E os que não se sabe? Nós estivemos no centro da pauta política nas últimas eleições e, toda vez que o debate sobre a causa gay avança, o conservadorismo reage. Toda luta por liberdade acontece que nem maré: vai e volta, tem avanços e retrocessos. Até que um dia ela avança e não volta mais atrás. 

O que falta para esse momento chegar?
As pessoas deixarem ser egoístas e darem o direito de o outro ser o que é. No Brasil é todo mundo muito egoísta. E não temos um Obama, um François Hollande ou um Pepe Mujica. O Executivo não tem só que falar, como faz a Dilma, “vamos criminalizar”. Falar, minha filha, falo eu também e não acontece nada. O que tem de fazer é o que fez o Hollande na França: peitar, enfrentar, articular o Congresso e aprovar a lei. Você não pode discriminar por religião, que é uma opção, e pode discriminar o direito de ser gay, que é uma condição? Como pode? É um absurdo. 

Argentina e Uruguai são os primeiros países da América Latina a legalizar o casamento gay. O Brasil está atrasado nesse debate?
Muito atrasado. Porque o Brasil tem uma bancada religiosa forte e, em nosso País, não se respeita a laicidade do Estado. O Uruguai tem um presidente que não tem medo de bancada, não faz conchavo. Já nós dependemos apenas do Judiciário que, entra governo, sai governo, é composto por humanistas e defensores da Constituição. Porque o Congresso Nacional do Brasil é homofóbico e o Executivo é rendido, sequestrado. O Brasil está ficando na contramão da história. 

A sra. mencionou as eleições. Em um dos debates, o candidato Levy Fidelix disse que os gays precisam de ‘ajuda psicológica’...
É, inclusive fui gritar na porta do Levy. Ele estava destilando o ódio. É o famoso afiador de faca. Não mata com as próprias mãos, mas incentiva o louco a matar. Percebemos que, depois disso, a violência aumentou absurdamente. A palavra para o ser humano daquele tipo é esta: leviano. Leviano Infidelix. Que importância tem a opinião de uma pessoa que nunca viveu, nunca sofreu, não faz a menor ideia do que seja essa realidade? 

Foi por isso que a sra. declarou, sobre o momento atual, que ‘estão querendo empurrar nossos filhos de volta para o armário?’ 
Eu me referia àqueles que são contra a liberdade. Silas Malafaia (pastor da Assembleia de Deus), Jair Bolsonaro (deputado federal pelo PP-RJ), João Campos (deputado federal pelo PSDB-GO)... Quando olho o perfil dessas pessoas, vejo uma aura de maldade. Porque acho que meu filho tem direito à felicidade plena e ele só vai conseguir fora do armário - sendo quem ele é.

O que a sra. espera do Congresso recém-eleito, o mais conservador desde 1964? 
Primeiro quero ver que conservadorismo é esse. Acredito que o conservadorismo político e econômico do Congresso aumentou, mas não necessariamente o de costumes. Só o PSDB de São Paulo está mandando para Brasília três deputados federais ligados à causa gay: Floriano Pesaro, Mara Gabrilli e Bruno Covas. Você não pode colocar os conservadores no mesmo saco. Por exemplo, a “elite branca paulistana” é conservadora do ponto de vista político, mas extremamente inclusiva com os gays. Então vamos aguardar e ver. 

Como a polícia trata o gay hoje? 
Com desdém. A maioria dos policiais é homofóbica. A polícia faz parte da sociedade. Se a sociedade é homofóbica, a polícia também é. E aqui no Brasil ela tem essa mania de pôr a culpa na vítima. É a mulher que estava com a saia curta, é o gay que estava não sei quê... Ou você está dentro da caixinha ou não existe. Ou se encaixa no padrão que o conservadorismo considera certo ou você não existe. Vai ser perseguido. É um círculo vicioso que tem que ser quebrado. É cultural, muito complicado. Não adianta eu, Jean Wyllys, João Nery (um dos primeiros brasileiros a fazer mudança de sexo), Márcia Rocha (travesti, militante e empresária), falarmos dia e noite sobre essas coisas. É preciso mais gente debatendo o tema para quebrar esses estigmas culturais que foram construídos durante séculos. 

As novelas têm tratado bastante do tema. Em sua opinião, elas mais combatem ou mais reforçam a homofobia?
Depende do autor. Alguns são realmente capazes de sensibilizar e a gente morre do coração de tanta sensibilidade. Outros só reforçam o estigma e prestam um desserviço a nossa causa. É o caso desse jornalista gay que aparece na novela das 8 (personagem Téo Pereira, interpretado por Paulo Betti, em Império, na Rede Globo). Já o primeiro beijo gay (na novela Amor à Vida, entre os personagens Niko e Félix) foi sensibilidade pura. Porque ali a dramaturgia conseguiu o que a militância tenta: separar a sexualidade do afeto. Na realidade, o homofóbico quando olha para o gay vê apenas o sexo - nunca o afeto. Nossa briga é para que se veja o afeto. Porque meu filho sempre falou para mim: mãe, se não existisse sexo, eu ia ser gay do mesmo jeito. Porque é o coração, não é genital.

Quando a sra. percebeu pela primeira vez que seu filho era gay?
Ainda criança. Quando ele tinha 5 anos, falei para meu irmão: ele é gay. Meu irmão falou: ‘Ah não, imagina. Como você já pode saber?’. Mas sabia. E tive dez anos para me preparar. Por mais que me achasse preparada, a hora que ele me falou o chão se abriu debaixo de meus pés. Me senti péssima. Não por ele ser gay. Porque para mim tanto faz, é meu filho do mesmo jeito. O problema é que você sabe toda a discriminação que vai sofrer. No caso dele, sofreu mesmo. Além de todo o bullying na escola, sofreu três ataques homofóbicos. Tenho certeza absoluta de que meu filho pensou em se matar muitas vezes. Apesar de ter uma família inclusiva e ter para onde voltar. Porque apesar de ser honesto, trabalhador, não ser criminoso, não encher a paciência de ninguém, ele é um pária da sociedade. A criança judia sofre preconceito na rua e volta para o colo da mãe judia. A criança negra sofre o racismo na rua e volta para o colo da mãe negra. A criança LGBTTT não tem para onde voltar. E muitas vezes ela sofre mais homofobia dentro de casa que na rua. Veja o pai que matou um filho de 8 anos porque o menino foi lavar louça. Uma criança linda de morrer, e o cara esfacelou o rim do menino na pancada porque o filho queria lavar louça. É para esse lugar que a criança LGBTTT volta. Um lugar onde ela é torturada e não tem colo de ninguém. 

Que ataques seu filho sofreu? 
Uma vez, ele estava andando em Taboão da Serra, cuspiram nele e chamaram de veado. Outra vez tava no McDonald’s da Av. Faria Lima na hora do almoço. Quando se levantou para sair, as amigas que estavam com ele escutaram um pitboy falar ‘vamos pegar o veado’. Elas começaram a gritar e os seguranças do McDonald’s pararam um táxi e puseram meu filho dentro. Então você acha que a gente consegue dormir à noite? Tenho uma amiga da Mães pela Igualdade que a filha foi apedrejada. Apedrejada. Ano de 2014, mundo ocidental. Como a gente dorme à noite? A gente não dorme. O André Baliera (estudante de Direito da USP, agredido em 2012) foi espancado às 17h na Henrique Schaumann (avenida movimentada da zona oeste de São Paulo). Você dorme à noite? Não tem como.

E como foi o terceiro ataque homofóbico que seu filho sofreu?
Ele acabara de sair de férias e foi para Natal, no Rio Grande do Norte. Sofreu um ataque homofóbico que durou horas. Horas. Uma coisa horrorosa. Filme de terror. Ele estava na praia com o namorado, os dois tinham acabado de chegar lá e foram abordados por um cara que os roubou e dizia: ‘Ah, branquinho, vou te levar ali no mato para te estuprar’. ‘Você é lindo, branquinho. Vou te estuprar.’ ‘Se você falar que te roubei para alguém vou te matar. E para mim é fácil porque mato veado todo dia. Você é só mais um.’ 

Ainda assim os casais gays devem andar de mãos dadas e enfrentar olhares na rua?
Claro. Você quer um melhor jeito de militar pela causa do que esse? É dizer: eu estou aqui, eu existo e vocês vão ter que me engolir. Com certeza! Até para banalizar a história. Porque tudo que vira natural deixa de ser manchete. Sair do armário é um ato político. Se todo mundo se esconder, a gente não sai do lugar. 

A postura do papa Francisco em sinalizar uma abertura na Igreja Católica de diálogo sobre os gays aponta para novos tempos de progresso no debate?
Vou falar bem claramente meu ponto de vista: o papa não pode mudar a religião. Existem dogmas e os dogmas têm que ser seguidos. Mas o papa dizer para parar com a perseguição é fantástico. É humano. Não tenho a menor expectativa de um dia ver um gay casando na Igreja Católica. A expectativa que tenho é que religiosos peçam para parar de perseguir. Hoje você está vendo o dalai-lama, Desmond Tutu e o papa Francisco fazendo isso. Agradeço aos três porque é um avanço muito grande, e não espero que eles desconstruam a própria religião. Meu filho é devotíssimo de Nossa Senhora e acho que ele também não espera casar na Igreja Católica.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Eu sou gay. Entenderam ou tenho que desenhar mais uma vez?

Indispensável. Divido com meus praticamente 9 leitores este texto magnífico de Ely Veríssimo, que copiei de Maju Giorgi, inoxidável amiga e Mãe Pela Igualdade.

Eu sou gay. Não sinto atração física por pessoas do mesmo sexo que eu, mas sou gay. Não sofro todos os dias ofensas e risinhos dos colegas de trabalho, mas sou gay. Não corro o risco - ou talvez corra - de ser surrado nas ruas de madrugada por ser homossexual, mas sou gay. Não tive que explicar, constrangido, pro meu pai ou minha mãe, que gosto de pessoas do mesmo sexo e que isso é apenas a minha forma de amar, que não há nada de anormal nisso, mas sou gay. Nunca tentaram me levar pra uma igreja neopentecostal e expulsar de mim o demônio do pecado pra que eu fosse curado do homossexualismo, mas sou gay. Nunca fui chamado de afeminado e de jogador de frescobol, mas sou gay. Nunca disseram, em voz alta na sala de aula e com voz melosa o meu nome, mas sou gay. Nunca tentaram passar a mão na minha bunda pra saber seu eu iria gostar ou reagir, mas eu sou gay. Nunca fui cercado por um grupo de machões - na verdade, homossexuais enrustidos, e com medo de que eu os revelasse por ser igual a eles - e espancado até a beira da morte, mas eu sou gay. Nunca tive que explicar para um policial que fui surrado por ser gay e ter que suportar dele o riso de deboche, enquanto ignorava completamente minha queixa e adulava meus agressores, mas eu sou gay. Nunca tive vontade de dar cabo minha vida porque não podia ser o que eu sou, sem sofrer todo tipo de execração pública de grupos políticos e religiosos sectários e que tentam infundir em mim e naqueles iguais a mim, uma vergonha tão grande de ser, que a morte parece uma saída melhor e mais doce, mas eu sou gay. Eu não sofri estas coisas na pele, mas eu as sofro todos os dias na alma ao ver estes absurdos cometidos por gente que se diz servo de Deus, guardiões da moral e da família, defensores dos bons costumes, contra pessoas que só querem o direito de amar e serem amados. Eu sou gay.

Ely Veríssimo, Diretor do Sindicato dos Servidores da Justiça Federal

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

I Encontro Nacional Mães Pela Igualdade: Declaração de Brasília

Copiei do Blog da Maju Giorgi

Brasília, 06 de outubro de 2013

O movimento nacional MÃES PELA IGUALDADE, formado por Mães e Pais de 10 estados brasileiros (Paraíba, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Distrito Federal), reunido em Brasília/DF, no I Encontro Nacional Mães pela Igualdade, no período de 04 a 06/10/13, declara que:

As mães e pais do movimento Mães pela Igualdade sentem amor incondicional e têm orgulho dos filhos e filhas LGBT e que as afirmações feitas por parlamentares fundamentalistas são falsas quando dizem “nenhuma família tem orgulho de ter um filho gay”;

A Presidência da República precisa se posicionar de forma clara e objetiva sobre os projetos relacionados aos direitos da população LGBT em tramitação no Congresso Nacional, pois em todos os países do mundo nos quais as leis regulamentadoras dos direitos da população LGBT foram aprovadas, o apoio explícito do Poder Executivo foi fundamental;

Considerando os altos índices de violência: simbólica, psicológica e física contra a população LGBT, exige a aprovação imediata do PLC 122, que criminaliza a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero nas mesmas bases do crime de racismo;

Tendo em vista os constrangimentos diários pelos quais passam transexuais e travestis, apóia a aprovação do Projeto nº 5002/2013, chamada Lei João W Nery, que permite alteração do registro civil de acordo com identidade de gênero e permite a cirurgia de mudança de sexo a partir dos 18 anos independente de laudo psicológico ou autorização judicial;

A demora nas investigações, denúncias e julgamentos de casos homofóbicos e transfóbicos demonstra o descaso dos poderes constituídos com a vida, a integridade física e a dignidade de pessoas LGBT. Neste sentido, exige o estabelecimento de protocolo de segurança pública para que os crimes homofóbicos sejam corretamente identificados, mapeados e notificados ao Ministério da Justiça e a SDH. É inadmissível perpetuar a dor de mães e familiares das vítimas de homofobia, razão pela qual exige celeridade na investigação, denúncia e julgamento dos assassinos de Lucas Fortuna, José Ricardo Pereira e Alexandre Ivo;

A população LGBT, em especial os transexuais e travestis, não consegue se manter na escola ou, muitas vezes, sequer tem a chance começar, o que lhes tira oportunidades e amplas escolhas na vida educacional e profissional, por isso reafirmamos a importância de estados e municípios implementarem programas e ações dirigidos a toda a comunidade escolar, com vistas a que as pessoas LGBT sejam devidamente acolhidas e respeitadas no ambiente da escola;

Tendo em vista o Poder Judiciário ter legitimado o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, ultimamos que o Poder Legislativo, no cumprimento de suas atribuições constitucionais, legalize o Casamento Civil Igualitário e aprove o PLC nº 5120/2013.

Mães pela Igualdade

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Carta Aberta de uma MÃE à Presidenta Dilma Rousseff

Copiei de Maju Giorgi, Mãe Pela Igualdade

Meu nome é Maria Júlia Giorgi e, antes de qualquer coisa, sou “MÃE”. Ao contrário de muitos, não vou acusá-la por tudo que está acontecendo, porque tenho absoluta certeza que a culpa não é sua, ou, pelo menos, não é SÓ sua. Vou falar um pouco da minha FAMÍLIA, para que a senhora veja o quanto ela se parece com o país diverso que a senhora dirige. Eu tenho 2 filhos, um menino de 25 anos e uma menina de 22. André e Gabriela, BRASILEIROS. O meu filho é GAY. É jornalista, fotógrafo e já tem, aos 25 anos, um reconhecimento profissional invejável. É retratista e, inclusive, a senhora já foi fotografada por ele quando ainda era Ministra, em uma Couro Moda há alguns anos atrás, numa época em que eu ainda era sua fã e admirava sua personalidade que parecia indestrutível. Meu filho é um trabalhador e paga todos os tributos devidos ao seu governo. É muito espiritualizado e se enche de fé ao dizer “O meu Deus é o mesmo de Gandhi e de Bhagavad Gita.” Esse menino é um orgulho para nós todos, sua FAMÍLIA. A Gabriela, minha filha, é heterossexual, e se formará, COM LOUVOR, num futuro bem próximo, em Psicologia em uma das melhores universidades deste país. Ela tem um sonho… o de trabalhar com crianças com DDA, e eu tenho absoluta certeza que irá concretiza-lo com sucesso. A Gabi é EVANGÉLICA praticante. Foi a religião que ela escolheu e na qual quis ser batizada ainda no começo da adolescência, e contou com nosso apoio irrestrito. O pai dos meus filhos, meu marido, é economista e também paga todos os tributos devidos à nação. É daqueles homens que nasceram para ser PAI e que têm nos filhos seus melhores amigos. Ele vive para os dois, para a FAMÍLIA, e não mede esforços para dar conforto e estabilidade a todos. Ele é católico praticante, daqueles que carregam Nossa Senhora e São José na carteira para que o protejam em momentos difíceis. Meus dois filhos têm relacionamentos estáveis que já duram anos. E meus dois genros são completamente inseridos na minha família como um todo, que inclui avós, tios, primos, amigos, festas de Natal, de Páscoa e viagens de família.

Mas nem sempre foi assim! Eu precisei lutar muito, muito para chegar neste HOJE. Eu tive que vencer uma depressão, fobia social, quase tive meu casamento desfeito, vi a minha vida estraçalhada por uma sociedade homotransfóbica e por um governo omisso e rendido ao fundamentalismo. Cada vez que meu filho saia de casa, eu era tomada por um medo incontrolável de que ele não iria voltar. Meu filho, presidenta, sempre foi GAY. Eu me lembro de que quando ele era muito pequenininho, deveria ter uns 5 anos, um dia, vendo ele brincar, perguntei ao meu irmão: “Você acha que ele é GAY??” E o meu irmão me dizia: “Nãaao… acho que ele vai ser um intelectual!” Hoje, eu e meu irmão damos risada dessa época. Meu irmão diz: “É lógico que ele já era gay, eu só queria te acalmar!” Por amor a este filho, que eu sabia que jamais deixaria de ser gay, eu resolvi me levantar do sofá, largar a minha vidinha de dona de casa, a minha zona de conforto, as flores do meu jardim, e transformar o mundo… primeiro ao meu redor, dando ao meu filho, segurança, amor, autoestima, os mesmos direitos e deveres dentro da nossa casa e do nosso mundo que de qualquer filho heterossexual, e uma família livre da homofobia. Eu consegui, e hoje posso tranquilamente cobrar do Estado aquilo que eu já fiz na minha casa. Há alguns anos, me juntei aos muitos que diária e incansavelmente lutam neste país por direitos e contra a HOMOTRANSFOBIA. Eu vi o seu governo desde o começo rendido ao fundamentalismo em prol da governabilidade que precisava da bancada evangélica para ter números em outras causas. Ou seja: vi os direitos do meu filho e de toda a comunidade LGBTT usados como moeda de troca. O KIT GAY, apelidado assim pelos fundamentalistas, que não passava de uma forma de esclarecer professores, e apenas professores, da rede pública sobre orientação sexual e identidade de gênero e mostrar como lidar com a diversidade, derrubou um Ministro e foi sumariamente descartado pela senhora com a preconceituosa e dolorida frase: “O meu governo não fará propaganda de “OPÇÃO” sexual”. Mas a comunidade LGBTT ajudou na sua eleição e, este movimento social suprapartidário, sempre teve nas horas oportunas uma bandeira levantada como exclusividade do seu partido para em seguida ser jogado na arena de leões. No seu governo vimos um arauto da discriminação ser agraciado com uma COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS. E vimos, rapidamente, uma causa que em 2012 era absolutamente relegada a segundo plano por essa comissão, tendo pouco mais de 1% de sua pauta ligada a ela, ser elevada a protagonista como ALVO da apelidada CURA GAY, pelo absurdo que sugere. Infelizmente para os fundamentalistas, e digo FUNDAMENTALISTAS e não evangélicos, jornalistas não são de fácil manipulação e imediatamente a imprensa brasileira somou sua voz a nossa contra essa INJUSTIÇA.

Faço a diferenciação e deixo claro que minha filha é evangélica e fundamentalistas NÃO a representam. A família do meu genro é evangélica e fundamentalistas NÃO os representam. Tenho primas e amigos evangélicos e fundamentalistas NÃO os representam. Ao Pastor Ricardo Gondim, fundamentalistas NÃO o representam. Ao Conic e a toda liderança evangélica que se levantou contra Marco Feliciano na CDHM, fundamentalistas NÃO os representam. Fundamentalistas são aqueles que atacam em todas as frentes, tentando violar o Ministério Público, o Poder Judiciário que é o guardião da nossa Constituição, a independência entre os poderes que é base de nossa DEMOCRACIA, os Conselhos e Órgãos de Classe, a Laicidade do Estado e, finalmente, o Poder Divino que nos concedeu livre arbítrio, contrariando seus desejos, com suas infinitas PECs e PDCs.

Estes fundamentalistas, que dizem ir para as ruas contra a corrupção, tiveram, nos últimos dias, circulando na internet a prova de que formam a bancada mais corrupta de todas. E é por eles que o executivo deste país está sequestrado em prol da governabilidade. Enquanto isso, nos chegam notícias de LGBTTs que morrem e são torturados pelo país afora, como o menino de 20 anos que foi apedrejado com tijolos de concreto esta semana em Uberlândia e vemos uma MÃE desesperada vir a TV fazer um apelo por JUSTIÇA. Por isso, quando meus filhos nasceram, entreguei os dois a Nossa Senhora, para que os cobrisse com seu manto sagrado e os protegesse, talvez já intuindo que neste país a proteção só pode vir dos céus. E até hoje entrego meu filho a Nossa Senhora, quando sai às ruas do país CAMPEÃO MUNDIAL EM CRIMES HOMOFÓBICOS. Nossa Senhora, essa que vi sendo quebrada a marteladas na TV, por um pastor, Nossa Senhora, esta que representa a MÃE em uma religião que é taxada de FAJUTA E MORTA por certo fundamentalista que hoje tem a indecência de vir a público se dizer representante dela e de todos os cristãos.

Presidenta… a senhora já ouviu dizer que LGBTTs têm poder econômico proveniente de dízimo, bancadas, mídias impressas, isenção tributária, radio, TV, capilaridade no estado, que fazem PECs ou usam de qualquer mecanismo que seja pra lutar contra os direitos de alguém neste país ? Ou que algum fundamentalista neste país foi morto, torturado, expulso de algum lugar ou perdeu seu emprego por discriminação? A senhora sabia que o direito de CRER deles está assegurado na mesma lei do racismo e preconceito em que LGBTTs lutam diariamente, com esforços vãos, para colocar seu direito de SER através do PLC 122? Que atingimos o direito ao casamento CIVIL igualitário através do Judiciário, mas que ainda teremos que mover céus e mares para que ele vire lei? Me diga, Presidenta, aonde estão esses privilégios que dizem que a comunidade LGBTT quer ou tem neste país, porque, por mais que eu tente, não consigo ver.

O que eu posso ver, pela primeira vez e frente aos absurdos que vem acontecendo , é a imprensa livre e a opinião pública espontaneamente se levantando contra as injustiças que sofre a Comunidade LGBTT. Se levantando contra a tentativa de se fazer acepção de seres humanos, a favor de direitos de cidadãos contribuintes, pelo fim do preconceito. O mundo ocidental está em evolução permanente, Presidenta, e a não ser que nos coloquem numa redoma blindada, seguiremos o curso natural da história a caminho da igualdade cuja luta incendeia o mundo neste momento. Não teve nazista, escravagista ou Ku Klux Klan que impedisse a história de avançar, por mais que tentassem.

Olhe o mundo ao seu redor neste momento e se inspire. A senhora quer ser lembrada pela história como Nelson Mandela, que coloca milhões nas ruas para homenageá-lo e reverencia-lo por sua luta por Igualdade, ou como o fundamentalista Mohamed Morsi, que coloca outros milhões para protestar contra ele e contra a violação da laicidade do estado? Eu peço, como mãe, que seu governo dê a todos os seus cidadãos os mesmos direitos e os mesmos deveres, nem mais nem menos, assim como eu fiz na minha FAMÍLIA. E isso só acontecerá com a criminalização da homotransfobia através do PLC 122 (onde já está o preconceito religioso), a legalização do casamento CIVIL igualitário, a educação contra a homotransfobia e a proteção do Estado contra absurdos como a CURA GAY. Eu garanto que, neste dia, eu voltarei para as flores do meu Jardim e nunca mais se ouvirá falar de ATIVISMO LGBTT, porque ele só existe em função do preconceito e do cerceamento de direitos. E não veja nesta carta nenhuma tentativa de intimidação, chantagem ou ameaça, não é desta forma que dirigimos nossa luta, nós não lançamos mão deste tipo de expediente. A nossa, é feita com honestidade, coerência , argumentos e a favor dos nossos direitos sem nos colocarmos contra os de ninguém. Não, Presidenta, os cristãos NÃO são todos iguais. LUTE POR NÓS PRESIDENTA!

domingo, 23 de junho de 2013

Não existe cura gay, o que existe é a cura da egodistonia e esse é um direito de qualquer um


Esta é a cura gay pelo viés, olhar da mãe de gay. Hoje, vocês vão ter que ter paciência comigo, porque vou falar muito. Os LGBTT carregam uma carga imensa de estigmas culturais históricos: não nascem em famílias bem constituídas, OPTARAM, são todos ateus e da esquerda radical e fazem parte ou são uma arma da agenda esquerdopata, são mal educados pelos pais que os criam para serem gays, promíscuos, marginais, drogados, doentes, condutores de doenças, transtornados, endemôniados e nem sei mais quantas tarjas e rótulos colocam no povo LGBTT. Me expliquem, de que forma, um pai ou uma mãe hétero, que muitas vezes tem mais de um filho ou muitos filhos e um deles é gay, faz? Escolhemos um aleatoriamente e dizemos: você vai ser “O filho gay”. E aí ensinamos meninos a brincar de boneca ou meninas a jogar futebol? Sorrimos, batemos palmas e gritamos: hora da aula, vem aprender a ser gay? Ou então, resolvi que você vai ser trans, e aí ensinamos meninos a se vestir “de mulher”, se maquiar, ou meninas a ter aversão dos seios e a se vestir “de homem”. Ou ainda… você vai ser Bi, porque hoje eu acordei com raiva dos evangélicos neopentecostais, então resolvi te escolher para ser o pior de todos, os que ficam de cá e de lá carregando os vícios e as doenças. Você consegue imaginar este cenário?
Me diga… Você se lembra em qual dia ou a que horas você resolveu ser hétero? Você resolveu sozinho ou foi uma escolha da sua família? Você foi ensinado? Porque com LGBTTs, funciona assim… Eles levam um choque na tomada do ventilador, na quarta feira de tarde, na mesma hora que um raio risca o céu, passa um ônibus para o centro e cai um galho de arvore no chão, e aí, eles resolvem: VOU SER GAY. Tô achando esse negócio muito bacana, tá na moda, deve ser incrível ser torturado, exilado, rejeitado pela família, religião, amigos, sociedade, mercado de trabalho, ser massa de manobra política, cortina de fumaça para os desmandos de certo parlamento proselitista. Tô ansioso para levar a pecha de promíscuo, marginal, doente, transtornado, drogado, vagabundo, condutor de doenças, para ser jogado no gueto, passar fome, ser levado à prostituição, passar pela dolorosa experiência de adequar meu corpo à minha identidade, ser culpado por ser a vítima de crimes hediondos, tô super querendo levar uma lâmpada nos olhos ou um tiro… Nossaaa, não vejo a hora. A-DO-REI esse script, é essa a vida que eu quero.
Vamos raciocinar?
A CURA GAY, que os fundamentalistas podem fantasiar do que quiserem, olhar por qualquer prisma ou fazer qualquer discurso numa tentativa de amenizar ou suavizar o ABSURDO, continuará sendo EXATAMENTE isso: “CURA GAY”. A promessa de que profissionais evangélicos de psicologia têm o poder de mudar a CONDIÇÃO SEXUAL de alguém é MENTIRA de qualquer ângulo, lado ou ponto de vista.
Para quem não entendeu qual é a nossa luta: Ao contrario do que querem fazer crer o presidente da CDHM e seus asseclas, nenhum gay é proibido ou privado do direito de fazer terapia, de buscar apoio psicológico, de falar de sua sexualidade com seu psicólogo, ou mesmo de não assumir sua sexualidade. Mesmo porque não temos essa autoridade e, mesmo que tivéssemos, jamais privaríamos alguém de DIREITOS; ou, não estaríamos sendo coerentes com nossa luta. Não assumir a sexualidade é um martírio voluntário, mas é inegavelmente um direito que assiste ao ser humano. A luta do movimento LGBTT é única e exclusivamente contra o CHARLATANISMO que promete a CURA ou MUDANÇA de sexualidade, a CURA GAY. E nessa luta temos aliados como a OMS (Organização Mundial da Saúde), o CFP (Conselho Federal de Psicologia), OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) e a SBG (Sociedade Brasileira de Genética). Não existe cura, o que existe é um teatro, o desempenhar eterno de um papel que não é o seu, e, para isso, você não precisa de psicologia. Talvez uma escola de artes cênicas cumprisse melhor esta função e fosse menos contraindicada. As terapias de CURA GAY desencadeiam a egodistonia e levam à homofobia internalizada, ao suicídio, a depressão, a fobia social e, em casos mais amenos, apenas a infelicidade. Faz com que pessoas se casem e tenham filhos para, de repente, resolverem dar um grito de liberdade abandonando mulher e filhos e desfazendo a família. Tem o direito esses pseudo-curados de envolver mais pessoas nos seus dramas pessoais? O único intuito da Cura gay é reafirmar o preconceito, desmoralizar homossexuais, taxá-los de doentes, transtornados, aberrações. É uma manobra do oásis da lisura social, dos arautos da moralidade, dos fundamentalistas que teimam em dizer HOMOSSEXUALISMO no ano de 2013, quando a Organização Mundial de Saúde aboliu o termo em 1990.
A EGODISTÔNIA é sim passível de cura, a SEXUALIDADE, não. Uma das vítimas da CURA GAY é o ex-pastor batista e teólogo Sérgio Viúla, que hoje é um dos maiores militantes da causa LGBTT e que escreveu o livro “Em busca de mim mesmo”, leitura mais que indicada para quem quer saber mais e se informar sobre a CURA GAY.
E, semana passada, ainda tivemos o plus da entidade americana que oferecia a CURA GAY há 37 anos (a maior do mundo) se desculpar com a comunidade LGBTT por todos os anos de pré-julgamento da Igreja, encerrando suas atividades.
 
Você é um dos que acha que tem direito a OPINIÃO? Você tem OPINIÃO sobre o quê? Sobre um assunto do qual você nada sabe, nunca estudou, nunca leu? Sobre uma realidade que você nunca viveu, nunca sentiu, que nunca foi sua? Você conhece algum gay ou transgenêro? Sabe o que se passa no coração deles? Sabia que qualquer uma das letras LGBTT tem sentimentos, anseios, sente dor, sofre e morre por causa do seu preconceito? Você é daqueles que pensam que se eles se suicidam é porque estão infelizes com sua condição e por isso tem que ser curados, mesmo sendo essa cura um blefe, sem nunca pensar que talvez estejam infelizes com a hostilidade de uma sociedade da qual você faz parte, que por isso se matam e que, talvez, o que precise ser curado seja o seu preconceito? Você já fez alguma coisa para ajudar, acolher ou incluir algum LGBTT… ou até mesmo, já conheceu algum, conversou, viu de perto? Já ofereceu uma oportunidade, um emprego, uma chance? Algum dia você fez alguma coisa para entender esta realidade além de cuspir A PALAVRA que é uma escolha sua, uma OPÇÃO sua e de mais ninguém? Você sabia que seu preconceito na forma de piadinha e opinião é o amolador da faca que ali adiante vai levar pessoas ao suicídio, destruir famílias, empurrar seres humanos para a marginalidade, torturar moralmente, fisicamente e matar? Você sabia que sua crença é opção e sua sexualidade é condição? Não? Não sabia de nada disso? Então me desculpe, mas você não deveria ter direito a “OPINIÃO”. OPINIÃO sobre o quê? Sobre o que você nada sabe? NÃO EXISTE CURA GAY, O QUE EXISTE É CURA DA EGODISTONIA, QUE É UM DIREITO DE QUALQUER UM…

http://www.sul21.com.br/jornal/2013/06/nos-eua-grupo-que-oferecia-cura-gay-encerra-as-atividades-e-pede-desculpas/
http://www.bulevoador.com.br/2011/01/sergio-viula/
http://sbg.org.br/2013/03/manifesto-da-sociedade-brasileira-de-genetica-sobre-bases-geneticas-da-orientacao-sexual/
http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2013/04/Parecer-PDC-234.pdf

domingo, 12 de maio de 2013

No Dia Das Mães, homenagem a Sonia Fernandes do Nascimento e a todas as Mães Pela Igualdade

Para Sonia Fernandes do Nascimento
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Jean, Nayre e Sonia
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Copiei de Maju Giorgi, Mãe Pela Igualdade

Sonia Fernandes do Nascimento, Angela Moysés, Luiza Ribeiro Habibe, Lilia Arruda, Maria Auxiliadora Ferreira, Délia Short, Graça Cabral, Georgina Martins, Sônia Santochi, Nena Goulart, Márcia Nunes, Angélica Ivo, Edith Modesto, Tânia Regina Grossi Arnaut, Eleonora Pereira da Silva, Hélia de Miranda Glória, Sônia Fernandes do Nascimento, Maria Claudia Canto Cabral, Eliana Simões Furquim Horch, Leila Novak, Marise Felix da Silva, Licia M. Carvalho, Silvana Machado, Mirna Gonçalves, Maria das Graças Cardoso,Clarice Cruz, Rosani Silveira, Maria Luiza Leão Antonucci, Terezinha Ferreira de Lima, Monica Baszynski, Angela Maria, Elizabeth Barcelos, Maria Assunção dos Santos da Silva, Maria Cristina Hollanda, Lilian Guarino, Vania Careli, Maria de Lurdes Teles, Marília dos Santos, Ecclécia Maria da Penha Capeletto, Paola Zini Vieira, Angela Albertina Frend Vargas Pareto, Doralice Fonseca, Pérola Rosana De Lucca, Beatriz Engel, Maria de Jesus Cruz, Diva Melo.

“Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele” (Martin Luther King)

Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela sua sexualidade.


 
Esses dias, minha amiga Lígia Ramos, que não é mãe de gay, mas que tem a lógica e a justiça a flor da pele disse: SER MÃE DO NORMAL É MUITO FÁCIL !!! Verdade, Lígia, não sei se é fácil, mas tenho certeza que é infinitamente mais fácil que ser mãe do diferente. É óbvio que vou homenagear neste dia das mães, a mãe dos LGBTT.
A mãe de um LGBTT é aquela que percebeu a sexualidade do filho já na inocência da infância e para qual ninguém precisou avisar que sexualidade é condição. Aquela que apesar da certeza absoluta da inocência, lê tratados de genética, psiquiatria, psicologia e direito diariamente para saciar sua fome por justiça e para se armar com uma cartucheira de argumentos. É aquela que viu seu lar, sua família, sua estabilidade, ameaçados, que se viu entre pai e filho, entre filhos e muitas vezes ainda teve o requinte de forças externas levianas tentando se aproveitar da sua crise para destruir sua família, mas mesmo assim não se rendeu.
 
Aquela que viu o filho sofrer bulling desde muito pequeno e que se transformou em redoma. A que chorou sozinha e sofreu por dois, por três, por quatro. As que tiveram seus casamentos desfeitos pelo machismo e a homofobia, ou quase isso, mas que não se dobraram. As que são julgadas pelos arautos da moralidade diariamente, apenas por desempenhar e muito bem o papel que Deus lhes deu: ser mãe. As que aceitaram serenamente, ser excluídas da sua religião junto com os filhos por terem a mais absoluta certeza da sua inocência e não se renderem nem diante de dogmas milenares e ameaças de fogo eterno. Aquela que já viu um adolescente hétero (Oh, God, quanta superioridade) da família (imposta), debochar abertamente do seu filho numa rede social e preferiu quebrar as malditas algemas sociais junto com ele do que fingir que não viu e mais uma vez calar.
 
As que já viram o filho ser constrangido em público. Que viram a filha apanhar na rua. Aquelas, que faço representar aqui por Angélica Ivo e Eleonora Pereira da Silva, que viram os filhos, quase crianças, serem torturados e mortos pela homofobia, e mais que não se renderem, fazem da dor e da lembrança dos seus, combustível e se levantam todos os dias para defender os outros filhos. Aquelas que de tão traumatizadas com a rejeição, desenvolveram síndrome do pânico, depressão, fobia social e todas as outras sequelas da homofobia. As que perceberam que o colo, o carinho, a atenção e o amor deveriam se multiplicar para acolher a grande maioria rejeitada por suas próprias mães (?).
Aquelas que são obrigadas a ler na imprensa que são matrizes de cabras e sementes de espinafre, sendo reduzidas ao mundo animal e vegetal e sendo sumariamente sacadas da raça humana. As que veem os direitos do filho se transformarem em joguete nas mãos de um Poder Legislativo asqueroso e de um Executivo omisso e rendido. As que são obrigadas a conviver com a liberdade de expressão de fundamentalistas e letristas em formato de pastores e seguidores acéfalos que não são capazes de respeitar nem a maternidade, nem a relação mãe e filho e cospem sua intolerância em forma de labaredas de LEVIANDADE!
As que veem os filhos serem resumidos a uma sexualidade e o que fazem na cama se sobrepor a todas as suas qualidades. As que olham nos olhos dos filhos tentando enxergar alguma coisa errada e só conseguem ver doçura. As que aceitam e acolhem o companheiro do filho como se fosse seu próprio filho. As que anseiam pelos netos e colocam úteros e corações a disposição. As que como eu se orgulham dos filhos e até esse sentimento veem questionado. As que não dormem a noite quando os filhos saem às ruas do país campeão mundial em crimes homofóbicos e que escutam a todo o momento que HOMOFOBIA NÃO EXISTE, mesmo quando seu próprio filho foi perseguido por pittboys no meio da Faria Lima, o da sua amiga teve 2 pittbull jogados em cima dele, o amigo do seu filho apanhou na porta do restaurante , um menino levou uma lâmpada nos olhos na avenida mais movimentada da sua cidade , e todos os dias nos chegam noticias de mortes, torturas, espancamentos.
 
Aquelas que conhecem o anseio do coração dos filhos e mesmo assim são obrigadas a vê-los com tarjas e rótulos de doentes, promíscuos, prostitutos e pedófilos. Que olha aquela quase criança colocando a mesa do jantar para ajudar e quando abre o jornal, vê os LEVIANOS, comparando a sua criança a bandidos, assassinos, drogados, zoófilos e necrófilos. Aquelas que veem seus filhos sem direitos civis, sem proteção do estado à mercê dos amoladores de faca e da homofobia que a cada dia é mais assustadora. As que não dormem a noite por verem a integridade física e moral dos filhos, constante e dedicadamente ameaçadas e mais que não se renderem, guardam o medo no bolso, transformam a indignação em luta e honram a palavra.
 
Mãe. Sim… essas mães merecem a minha, a nossa homenagem. São essas guerreiras destemidas que estão abrindo o caminho seguro para os meninos e meninas LGBTT. São Angela Moysés e Luiza Ribeiro Habibe, segurando as velas vigília após vigília. Edith Modesto e seu trabalho pioneiro e maravilhoso junto aos pais de LGBTT. Délia Short, que saiu do armário antes que o filho e faz sua luta diária desesperada e solitária. Lilia Arruda que mesmo doente marca presença nos protestos de microfone na mão. Georgina Martins que se armou de coragem para questionar a escola do filho. Maria Assunção dos Santos Silva e suas orações a Nossa Senhora. Terezinha Ferreira de Lima e Márcia Nunes que acolheram os netos adotivos como seus, nos dando uma lição de puro amor.
A todas que rasgam suas vidas em público na luta LGBTT . E cada uma que a sua maneira está dando sua colaboração para um mundo melhor para todos os nossos meninos e meninas merece a nossa homenagem sincera e comovida. Nós somos sim famílias. Famílias que se mantiveram unidas pelo amor apesar de toda cena adversa. Não somos gaysistas, não somos militantes, somos MÃES. Comunidade LGBTT, sinta-se amada e protegida, vocês tem sim mães lutando por vocês. Nossa luta não será inglória tenham a certeza, porque nossa arma é o amor e a razão. Sim, Lígia Ramos ser mãe do normal é muito mais fácil.
PARABÉNS MÃES COLORIDAS !!!
PS: E já aviso aos letristas , fundamentalistas e homofóbicos frequentadores da minha coluna que, em respeito às nossas famílias , desta vez não vou permitir nenhum comentário homotransfóbico neste espaço.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Mãe Menininha do Patuá (sic), nos ajuda porque tá sofrido!

Olha, quando comecei escrever este Blog, era com o olhar da mãe militante. Era para informar e unir os pais de LGBT. Para acabar com estigmas, discutir soluções, enfim…defender nossos filhos. Jamais imaginei que os tortuosos caminhos da política nacional me levariam a fazer crítica musical. Mesmo porque, não estou nem apta para isso.

A única ferramenta que tenho a mão é meu gosto muito pessoal, que pode ser bom ou mau, mas não interessa, porque é meu. Sendo muito eclética, consigo passear por muitos estilos. Consigo ir de Nina Simone a Guns N’ Roses, de Edith Piaf a CeeLo Green, de Mika a Cartola, de Chico a Florence, de Arnaldo Antunes a Depeche Mode, de Mariana Aydar a Franz Ferdinand, de Amy a Erasure, de Cidade Negra a The Killers, passando por Noel Rosa, Moby, Gonzaguinha, Scissor Sisters, Martinália, Almir Sater, Frank Zappa, Ana Cañas, Peter, Bjorn & John e Nando Reis e parando em Adele…tudo no mesmo dia.

E para ninguém achar que sou paulistana preconceituosa, vou dizer que já tive uma fase Banda Carrapicho (A-DO-RO) e que acho a voz do Leonardo… LINDA. Mas tudo isso faz parte da minha OPINIÃO PESSOAL. Minha vida é musical, não sei fazer nada sem música. Sabe, tenho dois filhos, André e Gabriela, que para mim, são Dé e Bi. A Gabriela se chama Gabriela, é claro, em homenagem ao MAESTRO que para mim é divindade, Tom Jobim. Quando eles eram pequenos, eu cantava para eles LET IT BE, DÉ E BI. Cantava tanto que virou lenda na minha casa.

Um dia o André me contou que Paul McCartney fez Let it Be para a mãe dele. Gente, nem dá para acreditar que uma pessoa dessa tinha mãe, fala sério. Um tempo depois, me aparece André com o Let it Be tatuado no braço, segundo ele, em minha homenagem. Emoção define esse momento. Lembrei-me daquela: quero ficar no seu corpo como tatuagem…que é pra te dar coragem de seguir viagem quando a noite vem…Put’s, já tô quase chorando.
Meu filho André e sua tatuagem: homenagem


Nasci nos anos 60, Beatles foram e, depois da tatuagem, vão ser para sempre parte da minha vida. AMO BEATLES. Saber que o Pai, o Filho e o Espírito Santo mataram John Lennon foi um choque. Será que isso já é formação de quadrilha? Gente, juro, quase cortei os pulsos com a faca do bolo Pullman quando soube. Mas e agora que Jesus declarou desagravo aos Beatles através da voz do profeta, será que algum tatuador consegue mudar o Let it Be do André? Quem sabe escrever em cima, Deus salve a Rainha…não God save the queen, acho mais chique. Ou Ordem e Progresso ou Brasil o país do retro…ops…futuro…ahhhhhhh…essa vai ficar legal! Mas é melhor ainda um Jesus me segura senão vou cair! Assim Jesus pensa antes de matar meu filho se ele fizer alguma coisa errada.

Olha, mas esse mundo tá tão perdido, a informação está correndo tão depressa, que ainda nem bem me recuperei do choque, fico sabendo que o capiroto, o cramulhão o mesmo que andou dando assessoria lá no Congresso, é do departamento de marketing do Caetano! E que atende pelo pseudônimo de Mãe Menininha do Patuá (SIC)! Como assim Brasil? MEU DEUS onde esse mundo vai parar ? Bem que, quando ele cantava aquele descaramento de “sem lenço, sem documento”, eu devia ter desconfiado. E eu, burra, inocente, coitada de mim, cantava o dia todo…caminhando contra o vento…E essa nova agora ??? Daniela Mercury, SA-PA-TÃO? Bem que, quando ela cantava “ a cor dessa cidade sou eu”, eu devia ter percebido! Que horror, o mundo tá perdido! Como ela, pessoa publica ousa ser essas coisas ??? E vai a gente falar alguma coisa , vem a GAYSTAPO e fala que é Bifobia. Sorte que ninguém tem coragem de aprovar esse tal PCL122, assim a gente pode falar o que quiser que não é crime mesmo…HIHIHI !
 
Bem feito ! Esse povo gaysista não entende que homem tem cromossomo e mulher tem óvulo. Ficam falando de genética só para embaralhar a cabeça da gente e fingir que são inteligentes. Olha, na semana passada, fui ao show da Bethânia no HSBC e, quando ela cantou Reconvexo, tive a nítida sensação de que a mão de Deus estava por ali. Muuuuito mais caro que tomate, mas valeu cada centavo.

Realmente, me senti possuída por anjos e tive a absoluta certeza que aquela voz era sobrenatural, mas achei e continuo achando que era DEUS. Será que o departamento de marketing é o mesmo do irmão? Tadinha da Dona Canô, fazia até novena, e os filhos foram dar nisso. Que absurdo. Eu tô frustada com essa Música Popular Brasileira. Tô pensando seriamente em andar na linha para ir pro Paraíso, que lá só tem virtuose…Joelma, os tocador de harpa, o cantor pastor…como chama mesmo? Ai, Meu Deus, acho que preciso pensar mais um pouco, porque sabe…não gosto de harpa. Vou ficar tentada a imitar Katylene e vou acabar gritando: PEGA OS BARDEEEEE pra eu vomitar!!! Caetano e John Lennon vão estar lá no…HELL ? Jesus, eu te amo…mas você vai ficar MUITO bravo comigo se eu preferir ir pra lá? Sabe… é que é uma eternidade toda…HAJA BARDE!!!!!!!!!!!!!!!

E para ninguém dizer que não vou dar uma de DJ…vou deixar para vocês duas sugestões. Na verdade, são duas homenagens …BEZERRA DA SILVA E MARIA BETHÂNIA… Espero que vocês gostem!!! Beijos até semana que vem!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

São Marcos Feliciano do Ódio Assassino e sua pregação: a faca mortal da LGBTT-fobia vai sendo afiada todos os dias

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco, ao cumprimentar os fanáticos presentes nesta mortal quermesse em louvor de São Marcos Feliciano do Ódio Assassino, divide com homens e mulheres de boa vontade, sejam ateus, cristãos, evangélicos, muçulmanos, judeus, com o povo das religiões de matriz africana, com os povos das religiões todas, esta luminosa declaração de amor e, como é próprio de luta!
Maju Giorgi, obrigado!
---xxx---
(O título é de minha responsabilidade)


AMAM, DESDE QUE…

Eu adoraria poder ser rápida, mas hoje talvez não consiga, então tenham paciência comigo. Aguinaldo Silva, foi o primeiro a sofrer com os ataques dos fãs da Joelma. Foi inclusive ameaçado de morte, coisa que esta virando moda. Aguinaldo Silva, Jean Wyllys, Maria Berenice… qualquer um que levante a voz a favor dos gays pode ser alvo. Quem será o próximo? Sinceramente, eu não sabia direito quem era Joelma até uns três dias atrás. Sabe quando eu perderia meu tempo escrevendo ou pensando ou destilando preconceito sobre a Joelma? Jamais! 

E luto por um mundo onde todos façam o mesmo. Mas, depois das declarações da Joelma, eu quis sim, virar a moeda do outro lado, para que ela fosse alvo de  preconceito por uns dias, assim como os gays são por séculos. O preconceito é inerente ao ser humano. Todos podemos ser alvo dele e  todos temos os nossos, mas temos também a opção de tira-los do bolso ou não em nome dessa tão famigerada liberdade de expressão.

Eu não tiro os meus, mas neste específico caso, quis realmente ver o que aconteceria quando o agente do preconceito virasse o alvo. TODOS os que falaram contra Joelma, foram massacrados pelos fãs dela. Isso se chama revolta, coisa que os gays sentem todos os dias da sua vida. Sou administradora do CARTAZES & TIRINHAS LGBT, um dos meus maiores orgulhos aliás por todo serviço que presta na luta por liberdade, e ontem, vimos os fãs de Joelma invadindo o nosso espaço enlouquecidos. Eles não deixam de ter razão, estão defendendo o que acreditam. Da mesma forma que nós da comunidade LGBT também temos o direito de enlouquecer, quando alguém que não sabe o que é ser gay, nunca viveu essa realidade, não foi gay nem por cinco minutos nessa vida, se acha no direito de sacar seu preconceito do bolso, e disparar contra quem esta quieto.

E não interessa, que seja baseado na religião, na opinião pessoal, na leitura dos astros, na borra do café ou qualquer motivo que seja. Quando você faz uso do preconceito, você abre antecedente para provar do próprio veneno. NÃO É HOMOFOBIA, dizem os fãs de Joelma. Não é homofobia para quem não sente na pele, para quem sente, é homofobia sim.

Homofobia não é só matar. A homofobia se apresenta em vários graus. Tudo que endosse o preconceito é preconceito. Na comunidade LGBT usamos um termo  para o que a Joelma fez. Ela afia uma faca metafórica, um preconceito, que vai incentivar outro a matar ali adiante. Graças aos amoladores de faca, nós pais de LGBT não dormimos a noite. Ser brega Joelma, é uma opção sua que todos temos que respeitar, e ser gay é uma condição do outro que você deveria aprender a respeitar também.

Por isso eu peço a todos uma reflexão… até que ponto vai a liberdade de expressão? Quando atinge o limite da civilidade e do respeito, continua sendo liberdade de expressão? Me disse uma fã de Joelma ontem no CARTAZES & TIRINHAS: os gays não podem reagir, porque perdem a simpatia das pessoas. Então, gays tem que ser saco de pancada, alvo de piada, sinônimo de pecado, cidadãos de segunda classe, potenciais vítimas de tortura e assassinatos... quietos, para não perder a SIMPATIA?

Se os negros ficassem quietos esperando a simpatia, talvez ainda estivessem amarrados dentro do navio negreiro, se mulheres pensassem assim, talvez ainda estivessem procurando a chave do cinto de castidade. Aonde, menina, fã de Joelma, inocente tadinha, você ouviu falar que liberdade se alcança por osmose e sem luta? E aquela parte do discurso: NÓS AMAMOS OS GAYS, MAS NÃO AMAMOS A PRÁTICA. Eu gostaria de entender essa lógica: amam, desde que não sejam o que são? Amam, desde que façam votos de celibato e deixem de ser? Amam desde que aceitem Jesus interpretado da sua forma, num mundo plural com infinitas crenças e com interpretações diferentes desse mesmo Jesus? Amam, desde que finjam que estão curados de uma doença imaginária? Amam, desde que sejam discretos? Amam desde que aceitem que ser pedófilo é o estágio avançado da doença? Amam desde que entendam que seus sentimentos são podres? Amam desde que aceitem que a AIDS é uma doença gay e que todo o ressentimento do mundo com a AIDS recaia em cima deles, só deles? Amam desde que não reajam a nenhum tipo de agressão? Amam, desde que não lutem por seus direitos? Amam, desde que aceitem ser os portadores eternos dos estigmas impostos pelo imaginário coletivo? Amam desde que não frequentem os mesmos lugares que as suas famílias e se contentem com o gueto? Amam desde que não tenham direito a defesa? Amam desde que possam pisotear armados da tal da liberdade de expressão? Amam desde que se resignem a ser eterno alvo de piada de mau gosto? Amam desde que possam continuar sendo imitados como aberrações grotescas em seus programas de humor? Amam desde que possam chamar de bixa, chinelão, viado e  traveco? Amam desde que entendam que não são humanos merecedores do amor divino? Amam desde que entendam que héteros e cristãos são superiores? Amam desde que se sintam livres para compara-los com zoófilos, necrófilos, pedófilos, bandidos, assassinos, drogados e pervertidos? Amam desde que não possam casar? Amam desde que não possam adotar? Amam desde que nenhuma lei tire a liberdade de agredi-los de toda e qualquer forma?

Que amor mais condicionado é esse? Isso não é amor, é opressão!  Que sociedade mais magnânima!!! Me desculpem, mas para mim isso não é amor e nunca foi. Isso são as muitas faces da hipocrisia. Amor é o incondicional. E me desculpem, não preciso nem de simpatia, nem desse amor torto. Preciso é de direitos e de leis aprovadas ! Não precisamos de tolerância, precisamos de respeito! E prefiro continuar lutando porque me incomoda muito mais ver a injustiça que ser chamada de gaysista, gaystapo, satanás ou qualquer outro rótulo com que queiram me agraciar! Tem muita gente se achando procurador de Deus, mas eu só aceito ser julgada pelo próprio!

terça-feira, 26 de março de 2013

Padre Luís Corrêa Lima: Carta aos pais dos homossexuais

Eu, que sou ateu, diante de pronunciamento assim tão luminoso, juro lamentar não haver nenhum paraíso para receber o Padre Luís Corrêa Lima.
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Ontem, fui surpreendida com uma mensagem do Padre Luís Corrêa Lima, parabenizando as “MÃES PELA IGUALDADE” e a todas as famílias LGBT, pela luta corajosa e necessária e se dizendo muito feliz de poder somar sua voz as nossas. Me deixou uma carta em anexo dirigida aos pais de homossexuais, me disse que a usasse como contribuição sua na luta por inclusão. Tenho absoluta certeza, que a carta do Pe Luís, ajudará a muitos, não só aos pais, mas aos próprios e a todos que acreditam no amor ao próximo como forma de oração. Nesse momento em que a luta pelos Direitos Humanos se torna visceral, a palavra do Pe Luís, chega como alento e incentivo a todos, cristãos ou não, católicos ou não, gays ou não. Para ouvir e entender as palavras do Padre basta que sejamos humanos. (Maju Giorgi)


“Carta aos pais dos homossexuais” 
Padre Luís Corrêa Lima

Os seus filhos são um presente de Deus criador a vocês e à humanidade, assim como a vida de todo ser humano. E vocês são para eles um instrumento da Providência divina para tenham vida, afeto, educação e valores.
Nós chamamos a Deus de ‘Pai’, conforme a nossa tradição judaico-cristã. Usamos a nossa linguagem e experiência humanas para nos dirigirmos a alguém que ultrapassa os limites do mundo e da nossa vivência. Também reconhecemos nele os traços da ternura materna. A experiência do amor incondicional, que os pais proporcionam, é fundamental para o despertar da fé e para uma sadia relação com Deus.
Ter filhos homossexuais lhes remete à complexa realidade da diversidade sexual. Ao longo da história e em diferentes culturas, esta questão foi tratada de vários modos. A nossa tradição de séculos longínquos e recentes já considerou a relação entre pessoas do mesmo sexo uma abominação e uma séria doença, impondo um pesado fardo a gays e lésbicas. No entanto, há mudanças que não podem ser negligenciadas, como a evolução dos direitos humanos, a superação da leitura da Bíblia ao pé da letra e, nos anos 1990, a supressão da homossexualidade da lista de doenças da Organização Mundial de Saúde.
Trata-se de uma condição, e não de opção, que alguns carregam por toda a vida. A sociedade e as famílias estão por aprender uma nova maneira de lidar com a homoafetividade; a Igreja Católica, que é parte da sociedade, também. Ao se falar da Igreja, frequentemente se pensa em proibições e condenações. Este não é um ponto de partida adequado.
A Igreja ensina que ninguém é um mero homo ou heterossexual, mas antes de tudo um ser humano, criatura de Deus e, pela graça divina, filho Seu e destinado à vida eterna. E acrescenta que os homossexuais devem ser tratados com respeito e delicadeza. Deve-se evitar para com eles toda forma de discriminação injusta. No nível local, há mudanças importantes acontecendo na Igreja. Em 1997, os bispos católicos norte-americanos escreveram uma bela carta pastoral aos pais dos homossexuais.
O título é: Always our children (Sempre Nossos Filhos). Segundo eles, Deus não ama menos uma pessoa por ela ser gay ou lésbica. A Aids não é castigo divino. Deus é muito mais poderoso, mais compassivo e, se for preciso, mais capaz de perdoar do que qualquer pessoa neste mundo. Os bispos exortam os pais a amarem a si mesmos e a não se culparem pela orientação sexual dos filhos, nem por suas escolhas. Os pais de homossexuais não são obrigados a encaminhar seus filhos a terapias de reversão para torná-los heteros. Os pais são encorajados, sim, a lhes demonstrar amor incondicional. E dependendo da situação dos filhos, observam os bispos, o apoio da família é ainda mais necessário.
Prezados pais, os seus filhos serão sempre seus filhos. Vocês não fracassaram e nem erraram por causa da orientação sexual deles. O estigma de infâmia e de doença ligado à homossexualidade precisa ser vencido. A aceitação da condição de seus filhos torna a vida de ambos muito melhor e mais feliz. Esta tarefa não é fácil, mas também não é impossível.
A prova disso é o depoimento de tantos pais que já conseguiram, ainda que tenham levado alguns anos.
A confiança no bom Deus, fonte de todo o bem e do amor incondicional, há de tornar este caminho mais suave e exitoso. Cordialmente,
Pe. Luís Corrêa Lima, S.J.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Maju Giorgi: Todos contra a permanência de Marco Feliciano na presidência da CDHM

Minha amiga Maju Giorgi, lá de São Paulo, escreve este belo texto sobre as razões que explicam as manifestações de repúdio ao pastor e deputado Marco Feliciano.
Ocorre que o sujeito,
notório racista e LGBTT-fóbico que se declara um defensor das famílias, "esquece" que as famílias LGBTTs são, ao fim e ao cabo, iguaizinhas às outras famílias.
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Copiei de Colunistas IG


Meu filho, André Giorgi, na luta contra o preconceito e a personificação dele: Marco Feliciano
Eu vou escrever enquanto mãe, enquanto cidadã brasileira, enquanto ser humano. Na semana em que aSBG (Sociedade Brasileira de Genética) publica nota endossando nosso Eli Vieira (geneticista ) e desconstruindo por completo Silas Malafaia, me pergunto: Quantos entenderam o que isso significa? Quantos viram a notícia? Até quando a justiça e a verdade vão ser reféns da falta de educação do povo?
Eu vou dizer como é a sociedade em que eu gostaria de viver. Apesar, do que querem fazer crer os fundamentalistas, eu tenho uma família. Eu tenho um filho gay, muito espiritualizado, com muita influência das filosofias orientais, mas agnóstico. O companheiro dele é agnóstico, mas acredita no cristianismo. Meu marido é católico praticante. Minha filha e meu genro são EVANGÉLICOS. Eu, como ainda não sou obrigada a ter uma religião, acredito que há uma Deusa que habita em mim e em você também e amo e respeito Nossa Senhora, mãe como eu, que viu o sofrimento do filho, mas me declaro agnóstica.
SOMOS SEIS! E assim, nós seis seguimos a vida, nos amando, respeitando nossas diferenças, nos protegendo , entendendo limites, perdoando erros, brigando muito, rindo muito, comemorando juntos nossas conquistas, apoiando uns aos outros nas dificuldades, fazendo juntos as refeições sempre que essa vida atribulada nos permite, nos ajudando naquelas pequenas coisas corriqueiras, uma carona, uma passada no supermercado, uma adiantada no jantar, uma passada no banco .
SIM, eu tenho uma família, Marco Feliciano, família, unida por amor, respeito, dificuldades, honestidade e valores. Minha família é exatamente como a sociedade em que eu gostaria de viver. E minha família está em protesto contra você e seus desmandos. E por isso ontem, fomos somar nossa indignação com aquela outra família bonita, daquelas duas moças que tinham um filhinho, Pedro de três anos. E lá ia o Pedro pela passeata com seu tamborzinho azul, batendo com a colher de pau todo feliz com as mães. E aquela outra família, que eu pedi, pro meu filho fotografar, já na dispersão na Praça Roosevelt, mas que infelizmente, não deu tempo. Estavam lindos, o pai de rosa, a mãe de azul e a filhinha de arco íris. Era uma família HÉTERO, sem medo de que a filhinha fosse ensinada a ser gay, e sem medo que a filha ou eles fossem contagiados pela homossexualidade, pois são imunes, VACINADOS PELA INSTRUÇÃO. E lá estavam eles, somando suas vozes a da minha família! E tinha a moça lésbica com seu gatinho…uma família, e porque não ? A moça trans, linda, que ia conversando animada com a irmã. E tinha também aquela familía negra enorme, toda espremida na sacada daquele prédio ocupado. Com suas panelas e colheres substituindo os tambores ancestrais, que com seus sorrisos imensos e alegria explícita, fizeram muito barulho recepcionando nossa passeata que ia ao som de “SARAVÁ SARAVÁ, FELICIANO FORA JÁ!”
Que família linda formavam aqueles negros! Pais amorosos e conscientes levavam a filha portadora de deficiência, empurrando sua cadeira de rodas, debaixo daquele sol senegalês. Nem sabíamos de onde vinha mais calor, se do céu ou do asfalto fervendo, mas foram corajosos, até o fim. Tinham muitos idosos, avós visionários, que com a experiência dos que já muito viram e muito viveram, lá estavam representando suas famílias, em defesa dos netos. E quando passamos por aquela escola pública, muitas crianças nos aplaudiram felizes!!! Uma delas pulava com a máscara do Anonymous, e eu rezava para que essa escola fosse realmente instrumento para que ela continuasse usando a máscara, até o dia em que possamos todos tirar todas as máscaras.
No meio daquele mar de bandeiras e guarda chuvas coloridos e muitos cartazes, um moço evangélico, me chamou a atenção com o seu: “O SENHOR É MEU PASTOR E ELE SABE QUE SOU GAY.” O rapaz que ficou ao meu lado em um dos momentos da passeata, exibia orgulhoso, seus colares do candomblé de mãos dadas com a namorada bonita, prontos para formar uma nova FAMÍLIA abençoada por aquilo em que acreditam. E tinha muita gente e estava tudo colorido e diverso como o mundo deveria ser.
É claro que nem tudo foi lindo, porque ver, os oportunistas partidários com suas bandeiras inócuas, tentando pegar carona na nossa mobilização por uma causa humana e séria, me dá muita revolta. Mas eram muito poucos, e não conseguiram abafar o nosso verdadeiro intuito. E sabemos que essas bandeiras, seja essa ou aquela, não iriam, hesitar nem por um segundo ali na frente, em usar direitos de seres humanos como moeda de troca pela governabilidade.
Não poderia ter faltado um momento de truculência, quando uma pessoa impaciente jogou o carro em cima da passeata atropelando um dos nossos maiores militantes… o anjo da guarda das MÃES PELA IGUALDADE, Luís Arruda, que ficou machucado, sangrando, mas que não desanimou. Porque nós não desanimamos frente à truculência, a ignorância e a agressão…Marco Feliciano, nós estamos nos movimentando por nossas famílias, pelo nosso direito sagrado de ser, de ir, de vir, de pensar, de amar, de crer, de escolher e de viver no nosso país em paz. Nossa força vem da nossa verdade. Nós não somos absurdos nem aberrações, somos seres humanos, somos famílias. Absurdo é Marco Feliciano, você ir à imprensa, dizer que suas petições têm muito mais adesões que as nossas, e conclamar o seu rebanho para uma cruzada santa contra os gays, as vésperas de assumir a CDHM, já que estamos protestando, exatamente por sermos a minoria que você quer calar. Palavra essa que inclusive está no nome da comissão que você ganhou de presente. CDHM. Comissão de direitos humanos e minorias. Ou nem isso você percebeu? De que forma uma minoria pode ser maior que uma maioria?
Me explique sua lógica, porque ela me foge completamente. Acho uma excelente ideia você focar nos imigrantes presos no exterior, porque caso você consiga assumir, você vai ter muito trabalho, em vista da debandada que vai haver. Mas eu tenho fé, quando vejo até os evangélicos do bem se levantando a nosso favor, que isso não vai acontecer, e que AMANHÃ VAI SER OUTRO DIA…APESAR DE VOCÊ!!
«Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.» (Mateus 22:21)