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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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segunda-feira, 5 de março de 2012

Veja como é fácil: receita para alterar Plano Diretor nas coxas

 

Atenção: em todas as fases do preparo você deve tampar o nariz e tirar crianças, hipertensos e atleticanos de perto e, muito importante, mantenha afastadas e sem nenhuma informação todas as pessoas que tenham e/ou possam ter interesse direto nesta receita.

1. Numa tigela própria para preparo de ante projetos de lei, prévia e generosamente untada com gosma da reeleição, tome um ex-prefeito em atividade e misture com 105,5 kg de incompetência, 45,6 kg de estultícia jurídica e 56,9 kg de cálculo político. Deixe esfriar.

2. Unte com interesses adubosos uma panela apropriada para tramitação legislativa, e vá misturando aos poucos um vereador que seja, ao mesmo tempo, próspero empresário e representante dos trabalhadores, um padreco do tipo minúsculo, os demais vereadores, acrescentando por último a vereadora do PT (para dar aquele gosto picante). Prove a mistura em três votações. Reserve.

3. Tome as misturas e junte-as no diário oficial do município (que todos conhecem por Conceição, a que ninguém sabe e ninguém viu), e, no fogo brando da mais autêntica conversa mole, flambe-as com a cachaça enganadora do "interesse público", o conhaque sestroso do "aumento da arrecadação" e com as fumaças esotéricas da "criação de empregos".

4. Publique um edital e convoque uma "audiência pública" para um dia útil, às 10 da manhã, para que seus comissionados na prefeitura e empregados da adubosa empresa interessada o aplaudam como o melhor cozinheiro de receitas redentoras para a eternidade. Agende uma entrevista no programa da Ana Maria Braga.

5. Se a Comissão Julgadora mandar você fazer a porra da receita como manda o figurino, faça cara de paisagem de área portuária degradada por armazéns gerais, silos e empresas misturadoras de adubos e peça ao padreco minúsculo para falar que certos aposentados não querem nem progresso, nem geração de empregos.