De prcequinel@yahoo.com.br
Para dep.pastormarcofeliciano@camara.gov.br
CARTA ABERTA AO PASTOR E DEPUTADO MARCOS FELICIANO
1. A Constituição Federal é maior e infinitamente
mais importante que a bíblia ou qualquer outro livro supostamente divino ou
sagrado porque, já em seu artigo 1º, assenta que o Brasil tem como um dos seus
princípios fundamentais a dignidade da pessoa humana.
2. Já a sua bíblia defende explicita e
claramente a escravidão, para citar apenas um exemplo que me ocorre, e você, pastorzinho
homofóbico de merda, proclama e canta e garante que os africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé, e que
isto é um fato, e que tal maldição, e de novo recorro à sua inacreditável fé obtusa,
explica os problemas todos vividos pela África. Vale dizer, pastorzinho homofóbico
de bosta, que você e sua manada negam em nome de um deus que sequer existe qualquer
condição inata de dignidade aos africanos, concedendo-lhes a redenção, entretanto,
- oh, o deus inexistente é tão misericordioso -, se aceitarem cristo ou besteira
assemelhada. Eu, de cachola de poucas luzes, fico com a dignidade que nossa lei
maior proclama e nos impõe buscar e me permito, comendo minhas goiabinhas
regulamentares, acrescentar mais um problema ao rol dos desafios da nossa
África: livrar-se da invasão dos missionários que oferecem aos africanos a tal
da redenção em cristo desde que, é claro, deixem uma graninha nas suas indefectíveis
e imorais sacolinhas coletoras de coisas daqueles que nada possuem.
3. Meu
filho mais novo é gay e, por amá-lo incondicionalmente, tenho o dever
irrenunciável de protegê-lo de ataques de gente da sua laia porque, que fique
claro, a dor que ele sentir, de qualquer tipo, será também a minha dor e eu não
posso permitir que meu menino sofra. Seu deus inexistente, pastorzinho-monte-de-estrume,
diz que meu filho é amaldiçoado, e você ecoa estas merdas, e você proclama que ofender
meu filho, seu filho-da-puta homofóbico, é um direito seu e da sua manada de cristãos
bovinos que tangidos, como é próprio, babam bovinamente.
4. No que depender das minhas forças declaro
que não será ele que ficará acuado pelo preconceito, pela intolerância e pela
violência. Ao contrário, vocês é que haverão de sentir-se constrangidos e
acuados, e isso será feito, sempre, nos meus termos, ou sendo bem mais claro: quem,
segundo meu juízo e entendimento, ofender, constranger ou ameaçar meu filho,
por qualquer meio em qualquer lugar, estará autorizando resposta pronta e
rápida de minha parte: bateu, pastorzinho homofóbico canalha, levou, e comigo
não tem essa conversa mole de oferecer a outra face.
5. Recuso-me terminantemente a considerar um
energúmeno da sua extração merecedor do tratamento protocolar de Vossa
Excelência, pois isso seria afronta e grosseria ao digno deputado Jean Wyllys
(PSOL-RJ) e, também, porque um patife como você que diz que meu filho e eu
temos ‘sentimentos homoafetivos podres’ mereceria tratamento respeitoso, seu
homofóbico de merda?
6. Se entendi direito, você é pastor da
Assembleia de Deus, e – quioispariu! -, é cantor, ou seja, além de nos encher o
saco obrando as baboseiras religiosas que ofendem o senso comum, você canta as
porcarias todas do gospel-gosmento, abusando infinitamente da nossa paciência.
Quiospariu, pastorzinho indecente, poupe-nos da sua cascata de porcarias!
7. Você disse que “a podridão dos
sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime, a rejeição”, e eu afirmo que meu filho e o povo
LGTB não têm “sentimentos podres” de qualquer tipo e, que fique bem claro, seu
homofóbico filho-da-puta, o que produz ódio, rejeição e crime não são os
sentimentos homoafetivos, é gente da sua laia que provoca essas coisas, seus
lazarentos. Sentimentos podres, emérito calhorda e monumental filho-da-puta, inundam
em verdade sua cabeça depois de ter sido tomada por esta fé insana, doentia,
obtusa e perigosa.
8. Não seja assim mentiroso que o seu deus,
mesmo inexistente, pode não gostar. O deputado Jean Willys não chamou a bancada
evangélica para nenhuma guerra. Pelo que sei, apenas confirmou compromisso
explicitamente assumido em sua campanha, o de que o seu mandato seria espaço de
discussão, defesa e de luta pelos direitos dos homens e mulheres LGBT. Vocês,
bando de cagões religiosos que constituem perigosa tropa do atraso e da
escuridão é que declararam a tal guerra, e isso faz muito tempo. E você,
especificamente, bradou no último dia 31 de março: “Conclamo a Mídia Cristã
responsável, pois existem também no nosso meio cristão uma MIDIA MARROM,
inescrupulosa, baixa, irresponsável e leviana, que se alimenta de especulações
e fofocagens! Nesse momento não é o meu nome que está em jogo, nesse momento
estão em jogo comigo MILHÕES DE CRISTÃOS QUE LUTAM PELA FAMILIA ASSIM COMO EU.”
Ou seja, você escreve uma montanha de merdas e, em face da justa reação das
pessoas de bem, trata de convocar uma espécie de cruzada. Era só que nos
faltava, pastorzinho homofóbico, pulha e racista.
9. Não sei se você sabe, eminente produtor de
interpretações safadas da bíblia, mas sexualidade não é escolha ou opção, é
fato da vida e ponto final. Meu filho não é nenhum criminoso, ou anormal, não
precisa de cura e é, claramente, um menino honesto e bom, amoroso, que respeita
sua família, que gosta de trabalhar coletivamente, mas, para gente estúpida e
abostada como você, ele deve esconder-se, anular-se, negar-se, envergonhar-se.
Proclamo que meu menino, enquanto eu estiver por aqui, exercerá abertamente o
definitivo direito de viver sua sexualidade e sua vida, e sua busca por felicidade,
e anuncio que dele me orgulho, dentre outras razões, exata e precisamente por
ter decidido não esconder-se. Meu guri, além do mais, tem coragem.
10. Sou ateu e isso nunca teve, e não tem,
nenhuma importância, e sempre respeitei, deputadozinho produtor de cocô
pretensamente santo, a fé professada pelas pessoas, e tenho muitos amigos que
são fervorosamente evangélicos ou católicos, e mesmo meu menino Jean acredita
em um deus. Agora, quem proclama, como você, que os povos africanos são
amaldiçoados por um deus inexistente por terem uma religião diferente da
cristã, deve merecer de minha parte combate frontal e direto. Quem é capaz de
crer neste tipo de porcaria e de, lendo no livro das inutilidades, sandices
supostamente divinas que poderiam lhes conferir uma espécie de ‘direito’ de
serem intolerantes e preconceituosos contra o povo LGTB, bem, você e outros
religiosos de merda não terão de minha parte nenhuma condescendência: para
jaguaras da sua espécie, saiba, do pescoço pra baixo é canela.
11. Se você decidir processar-me devo dizer
que repetirei diante de qualquer juiz o que escrevi, de modo que vamos lá,
bostinha rançoso e lídimo representante do atraso e das trevas, anote aí: sou
Paulo Roberto Cequinel, RG 847.060-0/PR, aposentado, residente à Rua João Leão,
324, Bairro Batel, 83370-000, e posso ser encontrado facilmente no fórum da
Comarca de Antonina/PR, à Travessa Ildefonso, 115, onde faço trabalho
voluntário de assistência aos presos e, como minha sala fica exatamente ao lado
da dos Oficiais de Justiça, serei rapidamente alcançado pelo longo braço da
lei.
12. Há entretanto em sua vida, pastorzinho
jaguara, homofóbico e filho-da-puta, um problema insolúvel, e nem seu deus
inexistente dele dará conta. Não existe no mundo juiz que me obrigue a
acreditar que você NÃO É um pulha e um pústula. Simples assim, seu bosta: você
é um pulha e um pústula.
Ao tempo em que reafirmo minha integral
indignação e repúdio, esclareço que esta carta aberta tem por escopo defender irrestritamente
a integridade moral e a imagem do meu filho. Filho-da-puta algum que ouse fazer
isso pode achar que ficará sem resposta.
PAULO ROBERTO CEQUINEL
PS 1: Seu sorriso sestroso, seu cocozão
homofóbico e racista, é tão verdadeiro quanto uma nota de 3 reais.
