SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Folha de São Paulo: peidei, mas não fui eu!


Eu visito o Escrevinhador todos os dias

A presença de Dilma na festa (?!) da “Folha” foi o aspecto mais comentado pelos internautas nas observações sobre o aniversário de 90 anos do jornal. Eu estava em Buenos Aires, e lá a notícia foi outra. Numa nota de pé de página, o jornal “La Nacion” trouxe, na terça-feira,  informação de que desconfiei a princípio: “Folha” admite que apoiou a ditadura.

Achei que os argentinos não tinham entendido direito o assunto, até porque a nota fazia referência também ao fato de a Folha” chamar a ditadura de “ditabranda”… 

Mas leio no blog do Eduardo Guimarães que a “Folha” admitiu mesmo o apoio à ditadura.
Admitiu daquele jeito dela. Disse que apoiou o golpe (mas, veja bem, quase toda grande imprensa apoiou)… Disse que carros do jornal “teriam” sido usados por agentes da repressão (mas, veja bem,  “a direção da Folha sempre negou ter conhecimento do uso de seus carros para tais fins”).

A “Folha” lembrou-me um pouco o Bill Clinton, ao ser perguntado se tinha experimentado maconha na juventude: “sim, fumei, mas não traguei”. Ou, pra ser mais escrachado, a “Folha” lembrou-me da frase do roqueiro Lobão? que meus filhos adolescentes adoram citar: “peidei, mas não fui eu”.

Melhor não dizer mais nada. Fiquem com a narrativa ”oficial” publicada pelo jornal.

A Folha apoiou o golpe militar de 1964, como praticamente toda a grande imprensa brasileira. Não participou da conspiração contra o presidente João Goulart, como fez o “Estado”, mas apoiou editorialmente a ditadura, limitando-se a veicular críticas raras e pontuais.
Confrontado por manifestações de rua e pela deflagração de guerrilhas urbanas, o regime endureceu ainda mais em dezembro de 1968, com a decretação do AI-5. O jornal submeteu-se à censura, acatando as proibições, ao contrário do que fizeram o “Estado”, a revista “Veja” e o carioca “Jornal do Brasil”, que não aceitaram a imposição e enfrentaram a censura prévia, denunciando com artifícios editoriais a ação dos censores.
As tensões características dos chamados “anos de chumbo” marcaram esta fase do Grupo Folha. A partir de 1969, a “Folha da Tarde” alinhou-se ao esquema de repressão à luta armada, publicando manchetes que exaltavam as operações militares.
A entrega da Redação da “Folha da Tarde” a jornalistas entusiasmados com a linha dura militar (vários deles eram policiais) foi uma reação da empresa à atuação clandestina, na Redação, de militantes da ALN (Ação Libertadora Nacional), de Carlos Marighella, um dos ‘terroristas’ mais procurados do país, morto em São Paulo no final de 1969.
Em 1971, a ALN incendiou três veículos do jornal e ameaçou assassinar seus proprietários. Os atentados seriam uma reação ao apoio da “Folha da Tarde” à repressão contra a luta armada.
Segundo relato depois divulgado por militantes presos na época, caminhonetes de entrega do jornal teriam sido usados por agentes da repressão, para acompanhar sob disfarce a movimentação de guerrilheiros. A direção da Folha sempre negou ter conhecimento do uso de seus carros para tais fins.
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Por que a Folha de São Paulo não investiga o Serra?

Reproduzo artigo de Brizola Neto, publicado no blog Tijolaço:

A Folha de S. Paulo está conduzindo, como todos sabem, uma intensa ação judicial para obter acesso à íntegra do processo de Dilma Roussef movido pela ditadura, com material obtido sob tortura e num regime de exceção.

A Folha defendeu, em editorial, o seu interesse com estas palavras:

“É da essência republicana que a biografia de um candidato se exponha ao exame até mesmo impiedoso da opinião pública. Trata-se, afinal, de alguém que pretende assumir o comando do país.”

Seguindo o mesmo raciocínio, a sociedade tem, então, o direito de exigir que a Folha procure e exponha, para “o exame impiedoso da opinião pública”, os autos do processo movido na Justiça Eleitoral de São Paulo, em 1988, onde o candidato José Serra, - “alguém que pretende assumir o comando do país” – busca reparação ao fato de ter sido acusado pelo seu então colega de partido, Flávio Bierrenbach, de ter entrado pobre e saído rico do governo Montoro, onde foi secretário de Estado.

A acusação foi feita na televisão e Serra iniciou um processo por calúnia, injúria e difamação contra Bierrenbach. Este, então, solicitou ao juiz da 2a Zona Eleitoral, então o Dr.Wálter Maierovitch, o que se chama exceção da verdade, ou seja, o direito de provar que não é calunioso ou difamante o que havia sido afirmado. O juiz atendeu e, então, Serra tentou reduzir o processo ao de injúria, que juridicamente não comporta a comprovação de ser verdadeiro o que se afirmou.

O processo passou a arrastar-se e, finalmente, prescreveu. Mas está lá, no TRE de São Paulo, com a prova que se exige em processos relativos ao horário eleitoral, que é a fita do que foi veiculado.

A matéria, da revista CartaCapital, em 2002, está reproduzida em diversos blogs e pode ser lida aqui.

Flávio Bierrenbach não é um “consultor” condenado por estelionato. É ministro aposentado do Superior Tribunal Militar, o mesmo ao qual a Folha exige os dados de Dilma Rousseff. E não chegou lá nomeado por Lula, mas por Fernando Henrique Cardoso, em 1999. É alguém, portanto, digno da credibilidade e de isenção política em relação ao atual Governo.

Aliás, a Folha tem pleno conhecimento do processo e das acusações de Bierrenbach.

Publicou, em 2002, uma matéria onde dizia que o depoimento de Bierrenbach ia ser levado ao ar pela campanha de Ciro Gomes e até transcreveu parte do que ele dizia:

“Com esse objetivo, deve ir ao ar ainda hoje no horário eleitoral gratuito um depoimento em que o ex-deputado Flávio Bierrenbach acusa o tucano. “Entrou pobre na Secretaria de Planejamento do governo Montoro. Saiu rico”, diz ele.”

Portanto, a Folha de S. Paulo, se não quiser que seu editorial defendendo que a “essência republicana” seja ter conhecimento de tudo o que se disse – até pelos torturadores e receptadores, como foi o caso do sr. Rubnei Quicoli – sobre “ alguém que pretende assumir o comando do país”, está na obrigação de publicar o que o Ministro Bierrenbach disse sobre José Serra. Até porque foi dito num processo judicial em pleno regime de liberdades, e não papéis manchados de sangue do período da tortura e da bestialidade.

Ou, então, deve confessar a seus leitores que pratica o padrão Rubens Ricúpero de jornalismo: o que é bom (para Serra) a gente mostra; o que é ruim a gente esconde.

O Ornitorrinco pede a palavra e diz que a Folha de São Paulo cumpre o seu papel de integrante do Partido da Imprensa Golpista. Mas este animal burro e anfíbio, mamífero que põe ovos e meio pássaro e lagarto, diante disso e das notícias todas, julga ter o direito de perguntar: você aí que votou no serra não consegue ver o que está acontecendo? Ou você prefere não ver o que está acontecendo?