SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Pés na cozinha


Reproduzo como homenagem às viuvinhas 
sem-porvir e "cansadinhas".


O ex-presidente Lula recebeu o titulo de Doutor Honoris Causa pelo Instituto de Ciência Política de Paris, a Sciences Po. Um titulo honorífico que é concedido por instituições de ensino respeitadas àqueles que, de certa maneira, fizeram algo que as instituições acreditem ser relevante.
E a Sciences Po julgou que Lula fez algo de relevante e mereceu o título.  Muita gente e instituições pelo mundo têm o mesmo julgamento. "O cara", como já foi chamado, foi homenageado em dezenas de lugares ao redor do mundo. Mas uma parte da imprensa brasileira não vê motivo. Eles enxergam vários  problemas do governo Lula e nenhum mérito (ok, para esta parte da imprensa o grande "plus" de Lula foi não ter feito nada exceto continuar as políticas do príncipe FHC).
Valorizar é, por definição, uma ação subjetiva e, como tal, pessoal e intransferível. Se ela, esta parte da imprensa, não vê valores positivos no governo Lula, mais do que normal. Entretanto, como bem retratou o jornal argentino Página 12, a imprensa daqui se portou como escravocrata.
As perguntas que  questionavam a escolha do ex-presidente do Brasil para o título de Honoris Causa foram, no mínimo, rudes. Como alguém que se orgulha da falta de educação formal pode ser Doutor Honoris Causa? Como pode laurear alguém que chamou Kaddafi de "irmão"?
Além de mostrar total desconhecimento da homenagem (Honoris Causa é honraria, oras, e não um título de mérito acadêmico), mostraram também ignorância sobre política. Afagos, fotos, sorrisos para a câmera e gentilezas, além é claro dos interesses, fazem parte da política interna e externa. Chamamos isso de realpolitik (procurem por fotos do mesmo Kaddafi com Clinton, Condoleeza Rice, Sarkozy e perceberão o tamanho da ignorância da pergunta)
Eu vou além. Não foram apenas ignorantes e rudes. Foram também um misto de arrogância e daquilo conhecido como "complexo de vira-lata". Uma repórter do Globo questionou do por quê escolherem Lula e não FHC. Se os dados econômicos e sociais não falassem por si, e se a pergunta não demonstrasse a escancarada preferência política da repórter, a indagação do jornal ansiava por um endosso da Sciences Po ao príncipe da sociologia e poliglota FHC, como se dissesse: este merece ser homenageado por vocês, ter seu trabalho reconhecido, um grande presidente, cultíssimo e que, como brasileiro, tem um pé na cozinha.
Questionava, portanto, aquilo que é subjetivo e, ao mesmo tempo, pediam um carimbo parisiense de "aprovado" ao ex-presidente-sociólogo, afinal o que é gringo é sempre melhor que o que é nacional, tupiniquim.
Um pé na cozinha não foi suficiente para a laurear FHC. Não foi a honraria concedida a Lula pelo seu governo que incomodou tanto, foram seus dois pés de Lula no cômodo dos fundos.

domingo, 12 de setembro de 2010

Serra e Antonina


Em entrevista exclusiva, Serra fala de suas propostas para Antonina
Por Vaulo Yoberto Sequinel

Ontem, após vigorosa caminhada pela Feiramar, José Serra, o Presidente de Nascença, cercado por quase 5 populares, 36 assessores e mais de 184 seguranças, declarou em concorrida coletiva exclusiva ao Ornitorrinco, que a derrubada das árvores daquela praça “foi obra dos aloprados do PT” e que, já em 2 de janeiro de 2011, por decreto, “criará o Ministério do Turismo de Antonina”. Veja a íntegra da entrevista.

Ornitorrinco: O que o senhor fará para concretizar a vocação turística de Antonina?
José Serra: Vocês sabem que eu fui o melhor Ministro do Turismo que o Brasil já teve. Eu criei os programas Turismo Genérico, Turismo Hospitalar e Turismo Sigiloso, além de realizar mais de 200 Mutirões Turísticos. Então, eu estou preparado e, já no segundo dia do meu governo determinarei a criação do Ministério Municipal do Turismo de Antonina.
Ornitorrinco: E quem será o novo ministro?
José Serra: Será o Eduardo Nascimento ou o Eduardo Bó, ainda não decidi.
Ornitorrinco: Além de criar o papel higiênico, o fio dental, o palito de dentes, o siri mole, a banana seca e a bala de banana, aponte outras invenções e obras suas.
José Serra: Eu fui o melhor Ministro de Esportes do Brasil e criei os programas Esporte Genérico, Esporte Hospitalar e Esporte Sigiloso, além de realizar mais de 390 Mutirões Esportivos.  Fui também o melhor Ministro da Cultura, e criei os programas Cultura Genérica, Cultura Hospitalar e Cultura Sigilosa, e fiz mais de 3 mil Mutirões Culturais. Por uma semana fui o melhor Ministro da Educação do Brasil e criei os programas Educação Genérica, Educação Hospitalar e Educação Sigilosa, e fiz mais de mil Mutirões da Educação e, tendo sido o melhor Ministro do Planejamento de todos os tempos, criei os programas Planejamento Genérico, Planejamento Hospitalar e Planejamento Sigiloso, além dos mais de 80 Mutirões de Planejamento. Olha, nem vou falar dos programas que criei quando fui o maior e melhor Ministro da Segurança Pública, dos Transportes, da Integração Nacional e da Fazenda, embora eu tenha um carinho muito especial pelos programas Agricultura Genérica, Agricultura Hospitalar e Agricultura Sigilosa e, ainda, pelos programas Reforma Agrária Genérica, Reforma Agrária Hospitalar e Reforma Agrária Sigilosa.
Ornitorrinco: Mas como ninguém lembra disso, magnífico candidato?
José Serra: Acontece que a Dilma implantou, aos poucos, uma ditadura feroz no país. A Veja, a Rede Globo, a Folha, o Estadão e a Gazeta do Povo estão silenciados, estão praticamente sob censura. Cheguei a temer que o Brasil se transformasse num paraíso comuno-fidelista-chavista-evomoralista, mas, graças a Deus, vou ganhar as eleições e salvar o Brasil. Onde já se viu a imprensa não poder mentir, distorcer, fraudar e adulterar a verdade livremente? Onde está a liberdade de expressão? Quem matou Odete Roittmann? Qual é a cor do cavalo branco do Napoleão? Porque o Lula não me apóia?