Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
Os prezados internautos e as queridas internautas já devem ter percebido que os deuses esfumaçados que vivem nas nuvens, nos vulcões, nas abóboras e em algumas assembléias legislativas, sempre estão a tirar o fiofó da reta, não é mesmo?
Não, não me peçam respeito pelas religiões, isso é-me impossível.
Temos aqui mais uma demonstração acabada e definitiva de calhordice religiosa, de filhadaputice religiosa, temos aqui mais um crime cometido em nome de uma religião. E não me venham dizer que isso é apenas coisa desta escrotidão nojenta chamada Igreja Universal do Reino de Deus. As caveirinhas de plástico são tão verossímeis quanto a cobra falante, quanto a virgem emprenhada pelo espírito santo, e são tão verdadeiras quanto os modernos milagres atribuídos ao polacão voador, o João Paulo II. Não é possível que tanta merda permaneça sem resposta, sem reação. Tenho incontido nojo por religiões.
Religiões são escrotidões nojentas, umas mais evidentes, outras um pouco mais discretas. Ao fim e ao cabo vendem caveirinhas de plástico, terrenos no céu e absolvições de deuses inexistentes, até porque, se existissem, tais deuses teriam que fulminar esta tropa de meliantes. Definitivo nojo.
Por que eu tenho que ter paciência e ser educado com essa gente que me ofende?
A Igreja Mundial arrecadou R$ 4,5 milhões dos fiéis que compareceram no
dia 1ª na inauguração do seu megatempo, na região metropolitana de São
Paulo, em Guarulhos.
A estimativa é da Veja São Paulo. A revista esclareceu que se trata de
uma projeção conservadora. Ou seja, o montante pode ser maior.
Ela considerou que cada um dos 450.000 fiéis que lá estiveram deu em
média uma oferta de R$ 10. O número de fiéis foi estimado pela Polícia
Rodoviária. Pela avaliação exagerada de Valdemiro Santiago, o chefe da
igreja, o total dos devotos superou os 2 milhões.
O valor estimado da arrecadação da Mundial serve como exemplo do poder
de multiplicação de dinheiro dos megatemplos e explica por que as
igrejas estão investindo em sua construção em São Paulo.
A Igreja Universal está levantando o Templo de Salomão em uma área de
23.000 metros quadrados. O edifício de 12 andares terá capacidade para
10.000 pessoas sentadas.
O padre Marcelo Rossi está finalizando a construção de uma igreja em um
terreno de 30.000 metros quadrados para receber 100.000 devotos.
A Assembleia de Deus terá uma nova sede com um templo para abrigar 7.000 fiéis.
A inauguração do megatemplo da Mundial causou transtornos na Rodovia
Dutra, que foi tomada por cerca de 3.000 ônibus lotados de fiéis. Muitos
dos ônibus pararam na pista, por falta de estacionamento. Valdemiro
comemorou: “Conseguimos parar a Dutra, olha que sucesso!”
Para autorizar a construção de grandes supermercados, as autoridades
exigem dos empresários projetos que garantam o fluxo do trânsito. Elas
deveriam exigir o mesmo dos supermercados da fé.
O Ornitorrinco Ateu e Salvador Hemorrágico, diante de mais esta evidente e escandalosa demonstração de picaretagem religiosa, pede a palavra para tranquilizar este bando de estelionatários todos: a sorte de vocês é que não existe nenhum deus. Existisse um, ainda que bem mequetrefe, e vocês estariam pê(fo)-pê(di)-pê(dos), seus patifes.