SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Ministério Público acusa Edir Macedo de ser chefe de quadrilha. Ué, e os outros todos?


Eu visito Deuses Astronautas todos os dias


O MP (Ministério Público) Federal em São Paulo denunciou (acusação formal à Justiça) o bispo Edir Macedo (foto) e outros três dirigentes da Igreja Universal por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro dos fiéis. Edir, o fundador da igreja, é apontado como o chefe da quadrilha.

Na formalização em 1º de setembro da denuncia, o MP afirmou que os fiéis são vítimas de estelionato porque o dinheiro que deram à igreja foi enviado entre 1999 e 2005 para os Estados Unidos de forma ilegal, por intermédio de uma casa de câmbio de São Paulo.

O procurador Sílvio Luís Martins de Oliveira disse que os “pregadores valem-se da fé, do desespero ou da ambição dos fiéis para lhes venderem a ideia de que Deus e Jesus Cristo apenas olham pelos que contribuem financeiramente com a Igreja e que a contrapartida de propriedade espiritual ou econômica que buscam depende exclusivamente da quantidade de bens materiais que entregam”.

Os dirigentes da Universal declararam à Receita Federal apenas parte do dinheiro arrecadado com as doações dos fiéis, de acordo com apuração do MP.

Em 2009, o MP de São Paulo já tinha apresentado uma denúncia à Justiça contra Macedo e oito dirigentes da igreja por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. O processo foi anulado pelo TJ (Tribunal de Justiça) que entendeu que se tratava de um caso da esfera federal. Agora, parte das investigações do MP do Estado de São Paulo foi aproveitada pelo federal.

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O Ornitorrinco Constitucionalista pede a palavra para, maxima data venia - é assim que escreve? -, lembrar que Edir Macedo é chefe de uma das quadrilhas que se dedicam a engambelar pessoas em templos, igrejas e programas de TV. Há outros chefes, meus amigos, muitos outros, todos fazendo as mesmas coisas que esse notório patifão faz.
Entretanto, uma coisa é o MPF oferecer denúncia por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, crimes perfeitamente tipificados em nossa legislação; outra, muito diferente, é apontar como se crime fosse que “pregadores valem-se da fé, do desespero ou da ambição dos fiéis para lhes venderem a ideia de que Deus e Jesus Cristo apenas olham pelos que contribuem financeiramente com a Igreja e que a contrapartida de propriedade espiritual ou econômica que buscam depende exclusivamente da quantidade de bens materiais que entregam”.
Explico, se você tiver um pouco de paciência.
Pregadores de todas as religiões, credos, denominações e seitas todos os dias valem-se da fé, do desespero ou da ambição – mas também da burrice das pessoas, é claro – para vender terrenos no céu, oferecer milagres impossíveis e outras porcarias, e o fazem exercendo um direito expressamente garantido em nossa Constituição, não nos esqueçamos disso: é livre o exercício da fé religiosa, estando cada cidadão de posse do direito de freqüentar templos e os atos da religião que ele escolher, incluindo adquirir meias ungidas, óleos consagrados, medalhas abençoadas, bíblias, toalhinhas, passes, descarregos e o diabo a quatro.
Não existe – e ainda bem que não – nenhuma legislação no Brasil que defina o que seja religião, meus caros, ou que estabeleça o que pode ou não pode ser feito num culto religioso.
Significa dizer que Edir Macedo e todos os outros podem vender meias ungidas e cobrar agressivamente dízimos e doações dos seus fiéis porque, simples assim, isso é religião. 
Isso vale e é feito - mãos postas, compungidamente - por padrecos, pastores e tranqueiras assemelhadas, todos os dias, e as manadas, ó, são tangidas de um canto de fé aqui para uma empulhação ali. E tome glórias e aleluias.
Eu, quieto no meu canto, vomito, direito que, enfatizo, também está inscrito na Constituição.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Mentes esponjosas e almas libertadas pelo orgasmo


Hoje, véspera do fim do mundo, descubro logo pela manhã, notícias pra lá de interessantes, prezados internautas em cristo.

1. O famoso pensador cristão Alan Kleber, aqui, explicando porque os fiéis não devem assistir novelas argumenta, vejam que bela e inusitada fundamentação, que “Nossa mente é como uma esponja. Ela absorve tudo o que vemos e ouvimos. Estas coisas são armazenadas no fundo da mente, e influenciam o íntimo do nosso coração, nossas reações, emoções, sentimentos e comportamento. Falsos conceitos e ideais repetidos várias vezes acabam se tornando verdadeiros quando falamos e agimos. É por esta razão que Paulo nos ordena ocupar a mente apenas com o que for proveitoso e edificante (Fp 4.8)”.

Mais adiante, pondera que “O cristão estaria fazendo algo muito melhor se usasse o tempo das novelas para o culto doméstico, reuniões de oração e doutrina (muitos cristãos não vão mais a igreja no meio da semana porque supostamente estão cansados, mas na realidade não querem perder a sua novelinha preferida), (...)”.

2. Enquanto isso, em João Monlevade, o pastor da Igreja do Reavivamento Divino, Gibran Henrique, “induzia os fiéis a deturpações das leituras bíblicas para que os mesmos se despissem de suas roupas e de sua moral”, conforme você pode ler aqui

O delegado que preside o inquérito informou que “o pastor selecionava as moças e rapazes de beleza mais evidente para os encontros de aprofundamento”, e que nestes encontros ele afirmava "que para entrar em conexão direta com Deus precisariam tirar as roupas e tomar o sangue de Cristo, que era representado por cálices de Cabernet Sauvignon.”

Já o pastor Gibran, que está preso, se defende argumentando que a Constituição Federal “garante liberdade de culto...” e, afirma que “a Igreja do Reavivamento Divino acredita na libertação da alma por meio de orgasmos.”.  

Eu, que não serei mesmo arrebatado amanhã, quero dizer que ambos, o pastor gozoso em cristo e o pensador esponjoso no espírito santo estão cobertos de razão. Querem ver?

Ora, se nossa mente é uma esponja que absorve todas as porcarias, as religiões todas devem mais é afastar a concorrência, justamente para que as mentes cristãs absorvam apenas as porcarias obradas nos templos e igrejas das diferentes denominações. A vida é dura em cristo, irmãos, aleluia, ó glória, ó menezes!

Já o pastor da Igreja do Evangelho Cacetoso tem, do ponto de vista legal, integral razão. A constituição federal veda expressamente que o estado – que é laico – determine que esta ou aquela interpretação da bíblia seja correta, ou mais correta, ou errada, o que significa dizer que se o amoroso pastor leu na bíblia que a alma será libertada por meio de orgasmos atingidos em apropriados encontros de aprofundamento, bem, aqui entre nós, até que não é má idéia, não é mesmo? Ó, a vida é um gozo em cristo, ó glória, ó menezes, aleluia!

By the way, vocês conhecem livro mais inútil que a bíblia?